sexta-feira, junho 10, 2005

Cegueira

O cego que ocasionalmente pede esmola na estação de comboio, a certa altura diz a alta voz:
“…a visão dos olhos não é o que conta mais, para Deus conta tudo…”

Descubra as diferenças...II

Patrocinadores preferem sempre construções do que manutenções.

Verão, tempo de horas extraordinárias para os soldados da paz, por causa do que não se fez durante o resto do ano.

O Jovem é expulso da igreja porque não vem aos cultos há cinco meses.

Pastores precisam-se…

quinta-feira, junho 09, 2005

O congresso

Um congresso para falar sobre "Como viver igreja". Tudo normal até aqui...
A igreja modelo tem dez membros e a forma como têm vivido não lhes tem permitido crescer nos últimos anos.
Falar-se-à de adoração, santidade, comunhão, palavra profética e testemunho da fé ao homem errante.

Job

“…Nu saí do ventre de minha mãe, e nu voltarei; o Senhor o deu, e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor!”
Job 1:21

Satanás atacou o servo do Senhor com a arma que lhe foi permitida. O seu mais forte ataque foi tocar no poder e na prosperidade de Job, fez isto porque só consegue atacar o homem com as armas que tem. A batalha era pela alma dele, para que negasse o Criador.
Job não o fez. O que o ligava a Deus não era o que tinha sido nefastamente atacado, mas o amor (que satanás não tem, logo, não pode atacar, tenta sim tocar no amor por outros caminhos, mas nunca o directo). O argumento forte de Deus para a nossa permanência nEle, não é a prosperidade, nem o poder, é o amor.
Satanás estava a lutar sozinho.
Sempre que é o amor o elemento principal de devoção ao Senhor, pomos belzebu (que traduzido é: “senhor das moscas”) num campo de batalha só seu, lutando contra si mesmo.
Job não se desviou do seu Criador e veio a conhecê-lo verdadeiramente.

quarta-feira, junho 08, 2005

Berço

Mais de cinco meses longe da minha terra, da minha parentela.
Mais dois se aguardam. O berço materno ainda deixa saudades…

Admoestação

Fui admoestado, uso demasiadas vírgulas e uso-as inconvenientemente.
No meu caso faz sentido, a vírgula é uma pausa. A oralidade influencia a minha escrita.
Sou gago…

O campo da bola

Havia, encostada ao “campo da bola”, lá em São Bartolomeu, um senhor que morava numa quinta. Estas personagens são sempre características nas histórias do imaginário infantil. A casa ao lado do campo… A bola, nunca podia ir para lá, mas parecia que o “raio” da bola ganhava vontade própria em alguns remates.
Íamos todos jogar para lá durante as férias do Verão.
Os meus vizinhos, convocava-os eu, os que moravam lá perto do campo, era o Rogério quem chamava. Estava tudo muito bem organizado, às três da tarde, religiosamente aparecíamos, e lá ficávamos até o último jogador cair para o lado de cansaço. Eram aqueles jogos de, “muda aos dez, acaba aos vinte…” (…) e depois de se cumprir a façanha, “agora vamos trocar de equipas isto tá desequilibrado”, e lá ia mais uma volta.
Quero vos falar do senhor que morava lá nessa quinta. Nunca cheguei a saber o seu nome, nunca lhe tinha visto a cara, mas imaginava-o um homem horrendo, sempre de faca em punho, qual “Jack Estripador”. Diziam que, se ele apanhasse a bola rasgava-a a metade. Haviam dias em que ia jogar com o coração nas mãos, dias como aquele dia em que a bola era a que me tinham oferecido no dia anterior, aquela bola toda brilhante “Mitre”, “ai se ele me apanha a bola… pessoal, nova regra, só vale jogar do joelho para baixo…”
Imaginava-o como um Huno, um Bárbaro. Não poucas vezes, desafiávamos o “poder das trevas” ao irmos roubar laranjas e maçãs, e que boas eram, eram as melhores…


Acontece que, um dia a minha mãe tinha uma visita a fazer e queria que eu fosse com ela, nem sei porquê, ainda hoje não sei o que é que fui fazer nessa visita. Bem, siga…
Estávamos a caminho, quando reparei que era o mesmo caminho que fazia para ir jogar à bola. Será que…? Pois, na “mouche”, estávamos a ir para casa do “homem sem cara”, pior, ao que parecia, a minha mãe conhecia a família, será que eles já me tinham visto? Será que me iam delatar? Comecei a ficar nervoso, tão nervoso que até acho que o senhor disse o seu nome, mas já nem me lembro dele agora.
Entrámos, a esposa dele foi quem nos atendeu. Senhora simpática, ofereceu-nos logo biscoitos e um sumo.
- Se eles soubessem que eu era, oferecer-me-iam algo, sim, oferecer-me-iam biscoitos com “605”, ou seja, veneno para ratos. - Pensava eu, - era esse o biscoito que me ofereceriam. Estava de facto nervoso com o que daria este encontro.
De repente ele aparece. Ao ouvir os passos dele, ainda mais nervoso fico. Ao aparecer, diz:
- Conceição! Então, mulher, como é que estás? E essa saúde? Este é o teu filho? O mais moço? - Perguntou ele com um grande sorriso. Se ele ao menos soubesse…
-Sim é o mais moço. - Respondeu a minha mãe como quem responde a um grande amigo.
Eu, só pensava que ele diria a seguir qualquer coisa como: “é um garoto, um patife, engana-te todos os dias que não estás em casa!” Mas não, para minha surpresa…
– Está mesmo grande o rapaz! Eu pensava que fosse o mais velho. Vejo-o às vezes aqui perto a jogar à bola. Faz bem! É triste quando essa canalha anda “prái” sem nada que fazer, ao menos ele joga! Queres ser jogador da bola? Perguntou-me ele.
Eu fiquei mudo, nem sabia o que dizer, de início, o olhar dele, parecia algo que eu temia mais do que o “diabo da cruz” mas depois, acalmei-me. Percebi que afinal, ele era simpático, tinha um sorriso mesmo bonito, sorriso de avô. Sorri para ele e disse:
- Quero sim, quero ser como o Eusébio… (entre nós, Ha! Ha! Ha! Só pode ser uma piada.)
Afinal, era simpático…
Fomos jogar no dia seguinte. Dei um chuto daqueles que “pegam mesmo mal”, e lá “foi a bola para as urtigas”.
-Eu vou buscar… - Disse eu voluntariosamente. Desta vez, e dali para a frente, passei a ir a casa dele. Pedia-lhe pessoalmente para ir buscar a bola ao quintal. Ele sorria, dava-me uma palmada nas costas ou um chuto no rabo, e dizia, “vai lá rapaz…”
À saída, ele dava-me sempre uma laranja.

terça-feira, junho 07, 2005

Oração

Reparei que, abriu um novo bar em Queluz. Bar brasileiro, que nestes últimos tempos tem estado apinhado de gente.
De maior nota, são,para mim, sempre os bares que vencem as gerações, ao contrário dos que cinco anos depois de inaugurarem os seus serviços, têm um “stock” completamente desfalcado, à excepção do tabaco.

A oração é parecida. Eugene Peterson, diz que para se orar, é preciso pouca coisa, tempo e um pouco de espaço. O que exige esforço nosso, é fazê-lo todos os dias.



Este bar, faz boas refeições…

Imagens

Os famosos retratos, pintados do Cristo, com olhos azuis e cabelo loiro, exprimem melhor a imagem de belzebu do que a do Deus Messias. Temos um conhecimento errónio acerca do Messias.
Por essa causa, talvez nos surpreendamos demais com as provações por Ele impostas.

segunda-feira, junho 06, 2005

Descubra as diferenças...

Funcionário trabalha 12 horas diárias para conseguir progredir na carreira, foi a promessa que lhe fizeram quando entrou para a empresa…


Culto de louvor, porque as estatísticas dizem que crescemos, cantemos e louvemos a Deus, porque somos mais e maiores.

A mãe deixa de falar com o seu filho, porque ele decidiu deixar a sua casa para ir viver num mosteiro.

O pastor fala com amigos, e congratula-se da progressão que tem tido nas igrejas em que passou. “Comecei com uma igreja de 30 membros, agora estou com uma de 450 membros…”


Uma empresa faz pesquisas de mercado. Trabalha com números, estatísticas, não se relaciona com pessoas.

O mancebo sonha em servir ao Senhor. “Quero ir para o seminário para ser pastor…”, porém, é impedido, “tens que garantir um futuro”, dizem os pais.

Angel's Disguise

"Angel is a girl with short brown hair
Simple little face, and simple clothes she wears
Angel isn’t much, in idle conversation
Doesn’t care about the weather, or the newest sensation

Angel spends her nights, giving of herself
To the little blue hairs and silver chairs
Who can not help themselves

Angel is an angel on the inside
You and I may not see from the outside
Oh I pray that in time, oh that our eyes
Will see past an angel’s disguise"

White Cross in Unveiled

domingo, junho 05, 2005

Angra do Heroísmo


Sé de Angra do Heroísmo, ilha Terceira.
Enfim, algo da minha ilha. A cidade de Angra é a mais antiga cidade da ilha Terceira.
Este, é com certeza o maior "Ex líbris" da cidade património mundial. Durante este mês acontecem as festas "Sanjoaninas", que são, sem desprimor para as festas do "Santo Cristo", as maiores festas populares nos Açores. No adro da sé juntam-se centenas de pessoas para verem passar as afamadas marchas populares.
Nunca fui apreciador de tais eventos culturais, mas fica a nota turística.

sábado, junho 04, 2005

Weekend´s Fotolog IV


Ilha de São Miguel. A ilha que, talvez tenha mais belezas naturais dos Açores.
Esta é maior ilha dos Açores, este é o centro da maior cidade da maior ilha dos Açores, que por sua vez, também é a maior cidade da região.
Quando me abordam e dizem que eu não falo açoreano, é porque estão à espera que eu fale micaelense. Aquele português meio "afrancesado", que na série "Xailes Negros" transmitida pela RTP, mereceu legendas no fundo de cada aparelho televisivo, para que, os continentais percebessem o que se dizia.
Eu sou Terceirense...

sexta-feira, junho 03, 2005

Chocolate

O cristianismo que visa agradar as outras pessoas, é uma consolação barata. São chocolates, em vez de carne.
O chocolate para quem o compra não dá trabalho a cozinhar.

Perseguição

Não oro por perseguição como elemento purificador da Igreja, no entanto, sei que tal aconteceria. A perseguição não surge do vácuo…
E parafraseando, parcialmente, o meu amigo Samuel Úria, “…se eles soubessem o poder de um mártir, não o matariam…” Digo, porém parece-me que, por vezes, o sabem.
A perseguição acontece apenas quando não há mesmo mais saída para os poderes malignos. Pode ser comparada a uma febre, é uma reacção (sublinho reacção), que purifica. A diferença é que neste caso não purifica a sua origem, purifica o “vírus” que a ataca.

quinta-feira, junho 02, 2005

O outro filho

O relógio desperta, mais um dia como outro qualquer, são cinco da madrugada. Afazeres? Os mesmos dos outros dias anteriores a este, mungir as vacas, mudá-las para novos pastos, dar-lhes de beber, dar-lhes de comer, ir tratar dos porcos, e depois ir para casa até à hora da tarde. É trabalho que se faz bem, ajuda-me a esquecer, pelo menos ajuda a esquecer o dia da catástrofe! Nem conseguimos tocar no assunto com o pai.De início fazíamo-lo, e ele desatava a chorar, como se fosse uma criança chorava ele. Agora, o trabalho é remédio para toda a doença…
Eu pelo menos fiquei, o outro, um ingrato.
Hoje venho do trabalho para casa, já são 11:00, e já trabalhei cinco horas… Estranho, vejo o empregado do pai a levar consigo o melhor bezerro que temos, será uma festa? O que aconteceu? Talvez uma surpresa para mim… Até era justo, depois deste esforço todo, depois de todos os dias de chuva que passei, por ter ficado e nunca ter pedido nada ao pai. Foi um esforço grande.
“Voltou o teu irmão”, diz-me o mordomo, então a festa é para ele? Não acredito, e eu que fiquei aqui este tempo todo não tenho uma festa?
O que foi que ganhei ao fazer este sacrifício todo?

Esforço

“Bem raros são aqueles cuja vida tenha um destino espiritual. Quantos o procuram, e, entre estes últimos, quantos não desistem! (…) Que loucura pensar que a fé e o bom senso nos podem nascer tão naturalmente como os dentes, a barba e o resto.”
Kiekegaard in “Desespero Humano”


quarta-feira, junho 01, 2005

Os meus Açores...

Pronto, cheguei à conclusão de que não fui feito para grandes cidades. Não são para a minha construção.
Podia contar a história toda, mas não o vou fazer. Basta-me dizer que tinha que estar às 18:30 na faculdade de economia, e a caminho de lá, fui orientado por pessoas que sabiam menos do que eu.
Resultado, fui à faculdade de ciências sociais, passei pelo jardim da Gulbenkian, passei perto do “Amoreiras”, voltei para trás, pelo mesmo caminho que tinha feito para voltar ao “El corte inglês” e ir à sinagoga, descobri, entretanto, que era lá perto.
Queria reafirmar que, pedi orientação aos transeuntes e todos me davam a sua opinião. O meu problema, é ser demasiado crédulo.
Ia para um ensaio, consegui chegar a horas. Estava encharcado em suor (hoje estava mesmo muito calor), cansado, mas já estava a caminho com o meu amigo, que por essa altura, já tinha chegado.
Foi um serão bem passado, a recordar hinos, com o Pianista, o Rais, a Voz, e mais dois amigos meus, o Cado e o Almi. Louvámos, e até havia uma criança no nosso meio para garantir a veracidade do nosso louvor.
No fim, valeu a pena a busca. Tudo o que custa, sabe melhor…
Tocamos este domingo de manhã na Igreja de Rio de Mouro.

Uma clarificação

Creio ser de importância para o contexto, informar que o post abaixo publicado, foi a minha primeira tentativa de ficcionar.
O acontecimento ali retratado não aconteceu mesmo. Não obstante, agradeço de sobremodo o convite e o conselho a mim endereçado pelos comentários lá escritos.
A nossa segurança não vem das circunstâncias, creio eu assim.

A festa

Estou a caminho da casa dele e já oiço o som da música e da conversa.
Chego lá, não conheço ninguém, apenas o aniversariante. Todos falam com todos, menos comigo, creio que seja por não me conhecerem.
De repente, encho-me de coragem e pergunto a um estranho o seu nome, o que faz, as especificidades do que faz… ele, responde-me e rapidamente, esgota-se o tema de conversa.
Naturalmente que ele, mal encontra uma oportunidade, vai falar com outra pessoa, visto que após esta “prosa mútua”, ficámos uns bons cinco minutos a olhar para as paredes e para as conversas que os outros tinham.
Voltei a reparar que todos continuavam a falar com todos, menos comigo. Seria mesmo apenas da minha pouca fama no círculo? Será que cheirava mal? Seria uma partida, ou então já sabiam todos, que não era grande comunicador?
O que me salvaria deste estado?
“E se entrasse um amigo meu para falar comigo? Ou se eu recebesse um telefonema que justificasse a minha saída? Ou mesmo se perdesse toda a vergonha e entrasse tipo “penetra” nas conversas dos outros, fazendo-me muito interessado e contente.” Cogitava eu com o meu coração…
Nada disso, a minha solução é muito mais ao meu estilo, ao estilo de uma pessoa quieta, aquela pessoa que ninguém nota pela sua presença numa sala, aquela pessoa que é sempre a última a ser escolhida para fazer parte de uma equipa porque ninguém sabe se joga bem.
“É a primeira vez que cá estás? Não, venho todas as semanas, mas não costumo jogar… adeus.” É a conversa típica minutos antes de se começar a jogar.
Já foi uma sorte ter me sentado no sofá. Quase sempre fico de pé e mais tarde ou mais cedo sem saber bem o que fazer com os braços…
Lá, nesse sofá reparo que bem à minha frente há uma televisão; poderá ser esta a minha solução?
Ligo-a, e, como de costume, faço uma passagem por todos os canais disponíveis, mas o aniversariante tem só serviço público.
Por mais ridículo que seja o programa que está a dar, ele é a minha bóia de salvação. Concedo-lhe toda a minha concentração, assim, não sinto necessidade de outra pessoa. A festa não está a ser uma festa, o que faço, fazia-o em casa, mas confesso que seria bem homenzinho para passar ali a noite toda, refugiado no ecrã, na minha conversa com a caixinha.
As outras pessoas, reparo, não sentem a mínima necessidade do meu refúgio.
Por vezes, quando a festa acaba, a sua aparente segurança passa, tal como a minha segurança era temporária e enganosa. Outras vezes não, outras vezes também me sinto perfeitamente ajustado em festas.
Mas pergunto-me, será possível termos uma segurança que vá para além destas circunstâncias?