sexta-feira, novembro 07, 2025

Vermigli II

 

Justificação pela fé

Para falar de justificação pela fé de acordo com Vermigli, precisamos de falar de teólogos anteriores a ele. Uma destas pessoas foi o Cardeal Gasparo Contarini, “Ninguém está mais identificado com o movimento reformista italiano do século XVI do que o senador veneziano que se tornou cardeal, Gasparo Contarini (1483-1542).” [1]

Contarini é importante porque recebe influência dos escritos de Lutero e começa a pregar a doutrina Luterana, nomeadamente, a justificação pela fé. Contarini também lidera uma comissão para a reforma dentro da igreja, “Consilium de emendanda Ecclesia”. A sua visão era que a reforma precisava acontecer dentro da igreja. No entanto, Contarini não era um reformador pleno, mantendo ele, muita da doutrina católica Romana. Contarini inicia um movimento, dentro da igreja chamado de “Spirituali”. Vermigli vem a trabalhar debaixo da sua liderança, como acessor teológico para a “Consilium de emendanda Ecclesia”. Sendo assim, vemos em Contarini uma primeira influência na vida de Vermigli para a doutrina da Justificação pela fé.[2]

Outra influência de Vermigli é Juan de Valdés. “Se Contarini representa o embaixador público da reforma italiana, Juan de Valdés foi o seu conselheiro espiritual privado. Embora Vermigli nunca mencione o nome do espanhol Valdés, não há dúvida de que ele exerceu uma influência teológica decisiva sobre o agostiniano italiano.”[3] Quando Vermigli sai de itália já tem uma teologia reformada muito bem “maturada”…[4]

“A doutrina da justificação pela fé somente, foi o ponto de viragem decisivo na vida de Vermigli. Não se pode entender completamente Vermigli sem “sola fide”, nem, podem os estudiosos modernos entender completamente o desenvolvimento doutrinário do Protestantismo Reformado sem a devida consideração de Pedro Mártir Vermigli.”[5]

Para Vermigli, fé é: “um assentimento firme e seguro da mente às palavras de Deus, um assentimento inspirado pelo Espírito Santo para a salvação dos crentes.”[6]

“A doutrina da justificação apenas pela fé é crucial para Mártir... Calvino sublinhou o facto de a “sola fide” realçar a soberania de Deus. Mártir prefere insistir na forma como a generosidade e a bondade de Deus se manifestam através da justificação apenas pela fé”[7]



[1] James III, “DE IUSTIFICATIONE,” 106.

[2] James III, “DE IUSTIFICATIONE,” 106.

[3] James III, “DE IUSTIFICATIONE,” 123.

[4] James III, “DE IUSTIFICATIONE,” 158.

[5] James III, “DE IUSTIFICATIONE.”

[6] Peter Vermigli, Predestination and Justification : Two Theological Loci, vol. LXVIII of Sixteenth Century Essays & Studies (Kirksville, Missoury, USA: Truman State University Press, 2003), 629. Tradução Deepl

[7] John Patrick donnely, CALVINISM AND SCHOLASTICISM IN VERMIGLI’S DOCTRINE OF MAN AND GRACE, 1976, 149.

quarta-feira, novembro 05, 2025

A importância da Igreja I

 Dos assuntos menos compreendidos, desvalorizados e relativizados que, na atualidade vivemos no seio do cristianismo, é a importância da igreja.

É dos assuntos menos compreendidos porque é pouco estudado, pouco ensinado e pouco pregado. Na mente de alguns, a igreja é aquele lugar onde nos encontramos com pessoas cristãs, sempre que temos disponibilidade, e que serve para nos animar para mais uma semana. O ir à igreja, neste caso, é opcional. 

Porque não compreendemos bem o que é a igreja outro erro que cometemos é cada um de nós "criar" a sua própria “igreja”, durante a semana com os irmãos com quem temos mais proximidade. Neste caso, verifica-se que a dimensão da igreja espalhada, durante a semana, é assumidamente mais enfatizada do que a igreja congregada. 

Este é dos assuntos mais desvalorizados pelos cristãos, nos nossos dias. A palavra “desvalorizada” deve ser explicada. Não quer dizer necessariamente que as pessoas repudiem ou não gostem dos irmãos da sua igreja. Com “desvalorizada” quero dizer que ela não ocupa um lugar primordial na nossa fé. Valorizamos mais outras expressões da nossa fé, principalmente as que são individuais em detrimento das comunitárias. "Desvalorizar" significa que, cada pessoa, à sua maneira, tem a sua própria opinião acerca da igreja. Quase nenhuma das ideias que temos acerca da igreja são baseadas na Bíblia.  

A realidade torna-se ainda mais clara quando comparamos a importância que damos à igreja com outras áreas da nossa vida. O nosso compromisso com o nosso trabalho, com a nossa carreira, com a nossa saúde é, muitas vezes superior em termos de prioridade à igreja. Isto acontece também porque não entendermos corretamente o que é a igreja.

Finalmente, a igreja é um dos assuntos na teologia mais relativizados na atualidade. Falei um pouco sobre isso acima. Cada um tem a sua opinião sobre o que é a igreja. Cada um acha que a igreja deveria ser isto ou aquilo, mas no fundo, nenhum crê convictamente que a igreja só pode ser uma coisa ou outra. Cada um faz como quiser. 

Há uma confusão muito grande de termos. alguns exemplos são: a igreja universal e a igreja local, governo de igreja, disciplina da igreja, vida da igreja e discipulado na igreja. Nestes casos, a nossa opinião depende muitas vezes da nossa conveniência. 

Nós, cristãos que desejam obedecer a Deus, não cremos assim. Nós cremos que a igreja é uma pedra preciosa que encontramos nas páginas das nossas Bíblias! Ela é parte importante do maravilhoso plano de Deus para todas as coisas e para a Sua Glória eterna. Ela é central no relacionamento entre Deus e o homem, onde vemos a Sua Redenção e salvação de todos os que crerem no Nome do Senhor Jesus.

A igreja é central para a vida cristã, nesta vida e na próxima!

É muito claro, portanto, que o mundo tem feito o seu estrago no cristianismo através da nossa falta de conhecimento da natureza da igreja. Este enfraquecimento só pode ser obra do inimigo.

sexta-feira, outubro 31, 2025

Uma singela e imperfeita homenagem a um reformador desconhecido. Pedro Mártir Vermigli

 

Resumo da vida de Pedro Mártir Vermigli

Pedro Mártir Vermigli nasceu em Florença no dia 8 de Setembro de 1499. Pouco se sabe da sua vida de juventude, apenas que tinha um grande afeto pelas Escrituras.[1]

“Aos quinze anos, entrou para a ordem dos agostinhos na cidade italiana de Fiesole, perto de Florença, sua cidade natal. Após oito anos de formação teológica, Vermigli foi ordenado sacerdote e obteve o doutoramento em Teologia.”[2] De facto, Agostinho, foi uma grande influência para o movimento da Reforma, não apenas com o seu pensamento e escritos, mas também com o seu legado de seguidores, para Vermigli isso não foi exceção.

Em Pádua, onde ele obteve o seu doutoramento em Teologia, teve contacto com a filosofia de Aristoteles, o humanismo do Renascimento, mas também com a Reforma Protestante.[3] Ele era um académico prodigioso e um pregador eloquente.

“Em Espoleto, Nápoles e, sobretudo, Lucca, prosseguiu ativamente uma agenda reformista. As suas reformas em Lucca foram tão bem-sucedidas, que a ira dos conservadores papais foi despertada para uma reação resoluta.”[4] A intenção de Vermigli era reformar a igreja Católica Romana. Sob a liderança do Cardeal Gasparo Contarini, foi assessor teológico, numa comissão que visava reformar a Igreja, o “Consilium de emendanda ecclesia”[5]

Por esta altura, outra pessoa influente na sua vida de, foi Juan de Valdés. “Foi no círculo de Valdés, em Nápoles, que ele conheceu o movimento reformista italiano, leu pela primeira vez literatura protestante e abraçou a doutrina fundamental da justificação apenas pela fé.”[6]

Roma reinstitui a Inquisição, e com isto, Vermigli é chamado a ser questionado no Verão de 1542. Depois de ser avisado que a sua vida perigava, ele decide fugir de Roma para uma vida de exílio em Zurique. Ali, ele abraçou completamente a teologia reformada.

Em Outubro de 1542, vai para Estrasburgo para substituir Wolfgang Capito como professor de Divindades.

A sua fama cresceu, e por causa disto, o Arcebisbo de Cantuária Thomas Cranmer, convida Vermigli para a Inglaterra. Em Inglaterra, ensinou na universidade de Oxford.

Ficou quase seis anos em Inglaterra. Estes foram anos de grande produtividade.[7]

Em 1553 Maria Tudor sobe ao trono e inicia uma perseguição terrível contra os protestantes. Vermigli é expulso de Inglaterra e vai, novamente, para a Suíça. É recebido em Estrasburgo e finalmente instala-se em Zurique, a convite de Bullinger, onde ensinou. Ali viveu até ao fim dos seus dias, morrendo de velhice a 12 Novembro de 1562.[8]

Vermigli ocupa um lugar importante na história da Reforma.[9]



[1] James III, “DE IUSTIFICATIONE.”

[2] Chris Cataldo, “The Phoenix of Florence,” Desiring God, n.d., https://www.desiringgod.org/articles/the-phoenix-of-florence., Tradução Deepl

[3] James III, “DE IUSTIFICATIONE.”,

[4] James III, “DE IUSTIFICATIONE.”, Tradução Deepl

[5] James III, “DE IUSTIFICATIONE.”

[6] James III, “DE IUSTIFICATIONE.”, Tradução Deepl

[7] James III, “DE IUSTIFICATIONE.”, Tradução Deepl

[8] W. Robert Godfrey, “Peter Martyr Vermigli: International Reformer,” Westminster Seminary, California, n.d., https://www.wscal.edu/resource/peter-martyr-vermigli-international-reformer/.

[9] Willem J. van Asselt, Introduction to Reformed Scholasticism (Grand Rapids: Reformation Heritage Books, 2011), 137.

quinta-feira, outubro 30, 2025

Querido diário...

Nem quando a blogosfera vivia os seus tempos áureos eu tinha grandes visualizações. 

Agora, então, é que tenho a certeza que este será um lugar secretoais protegido do que os mais guardados diários das adolescentes sonhadoras. 

Posso dizer o que quiser...


Gostava de voltar a postar aqui alguns artigos meus. 

Tenho coisa para uns dois dias... Acho que vai resultar.

quinta-feira, fevereiro 27, 2020

Evangelho no trabalho I


Este foi um estudo feito na igreja Baptista da Horta sobre Teologia do trabalho. O que vou tentar fazer é editar o texto para que possa ser toleravelmente lido e, ocasionalmente, Hei-de ir publicando capítulo a capítulo.
A Bibliografia usada é pouca. Para além da Bíblia, resume-se a dois outros livros: “Como integrar fé e trabalho”, Tim Keller e “O Evangelho no trabalho” Greg Gilbert e Sebastien Traeger”.
Este não é um documento académico, por isso, não tenho preocupação de respeitar qualquer tipo de regra para esse tipo de trabalho. No entanto, por uma questão de seriedade, tentarei mencionar sempre que cito as fontes das quais eu o faço.
A razão para ter feito este estudo foi pastoral. Percebi que muitos dos nossos irmãos sinceros e verdadeiramente comprometidos com o Senhor lutavam com este tema. Muitos não sabiam como agir num meio laboral repleto de pessoas que não conhecem o Senhor.
Será que devemos partir, ativamente para falar do Evangelho, denunciar as injustiças? Será que devemos ser “ultra espirituais” e levar a Bíblia para o trabalho, ou oferecer folhetos todos os dias aos nossos colegas? Será que este trabalho é algo em que deva investir? Será que trabalhar com descrentes, a não ser para os salvar, tem alguma utilidade ou é algum tipo de ministério? Será que trabalhar “na igreja” é superior a trabalhar no meu emprego?
Estas eram algumas das questões que ouvi e que tentei responder. Para muitos, o trabalho é um autentico sacrifício. É difícil ser-se uma testemunha de Cristo num ambiente em que a maioria odeia a Cristo.
No entanto, creio que, mesmo não tendo conseguido responder a todas as questões, este estudo serviu para cultivarmos uma visão teologicamente mais sã em relação ao trabalho, e consequentemente, termos um relacionamento com a nossa semana, diferente.
Sessão 1
O valor intrínseco do trabalho
Estaremos a estudar, nestas quatro semanas, a mente de Deus em relação ao trabalho. O que é que Deus pensa, mas também como é que nós devemos pensar em relação ao trabalho que temos.
Todos nós sabemos que existem trabalhos mais agradáveis do que outros. Existem trabalho de sonho. Não só pela descrição das funções que englobam esse trabalho, mas porque em muitos casos, conseguimos trabalhar na carreira que sempre sonhámos. Isso é privilégio nos nossos dias.
No entanto, nem todos temos a carreira com que sonhámos, nem todos fazemos o que gostaríamos de fazer e em muitos casos o trabalho, por causa disso, é visto como apenas uma forma de conseguir algum sustento. Um mal menor, a “nossa cruz”.
Este estudo não tem a finalidade de eliminar as dificuldades que temos no trabalho. Há dificuldades inerentes ao que fazemos que nunca mudarão. Há relacionamentos com pessoas que nunca ficarão sanados, porque a cura não depende de nós. No entanto, creio que se mudarmos a nossa mente, pelo menos poderemos lidar com essas dificuldades de forma diferente.
O segredo está em percebermos de que forma Deus pensa em relação ao trabalho. Depois de percebermos o propósito de Deus para o trabalho, os nossos colegas vão continuar a ser difíceis, as tarefas enfadonhas, e os problemas continuarão iguais, mas a nossa visão mudará. Afinal de contas, só podemos mudar o que pertence à nossa vida, e mesmo em relação a isso, só a Graça de Deus nos pode valer.
O que nos propomos, então, é que depois deste estudo possamos ter uma nova forma de olhar para o nosso trabalho. A transformação tem de acontecer em nós, não nas circunstâncias.
O trabalho não é castigo da queda
Génesis 2
É sempre importante definir alguns termos para que possamos caminhar no mesmo sentido quando falamos das coisas. Assim quando disser algo, todos vão perceber, pelo menos, aproximadamente, o que estou a tentar dizer.
O que significa ministério?
Ministério é uma palavra que vem do latim, e que significa servir. É certo que hoje quando ouvimos essa palavra, pensamos no governo, com os seus ministros. A nossa mente corre logo para uma compreensão nobre da palavra. Aqui uso nobre significando algo elevado, importante que não serve os outros, mas é servido.
Falamos também, no contexto religioso dos “ministros da Palavra”. Que em muitos casos são autenticas “super-estrelas”, com a sua agenda repleta de palestras, recebendo “cashiers” elevados e com direitos de luxo onde quer que vão.
O significado de ministro é o oposto destes dois exemplos. Ministro significa servo, mais especificamente, escravo.
Quando falamos em ministério estamos a falar de serviço, qualquer tipo de serviço, não só o pastoral. Se quisermos destacar o trabalho pastoral diremos “ministério pastoral”.
Será que podemos fazer uma diferenciação entre trabalho cristão e trabalho secular?
A tese que vou tentar demonstrar aqui é que não. Eu creio que Cristo vem salvar a vida completa do homem. Creio que a conversão não é apenas uma alteração de horário de fim-de-semana, nem uma mudança de comportamento exterioro, é uma mudança de coração.
Ou seja, o cristão vive completamente para a glória de Deus. Todos os dias, a toda a hora em todo o trabalho. Evidentemente que ninguém consegue viver assim, porque ainda lutamos com o nosso pecado e a nossa natureza, mas o alvo é esse e a graça de Deus trabalha em nós para esse fim.
Isto quer dizer que sirvo a Deus quer seja sapateiro, médico, professor, domestico ou pastor.
Não estou a querer dizer que não hajam atividades mais importantes do que outras ou mais centrais, como por exemplo pregar a Palavra de Deus, ou dar testemunho do Evangelho. Estou a dizer que tudo o que o cristão faz é serviço a Deus e deve ser feito para a Sua glória.
Que esferas têm?
Finalmente, é importante esclarecer que, apesar de toda a obra que fazemos ser serviço a Deus, a esfera da vida eclesiástica é central e influenciadora da esfera do trabalho secular. Ou seja, a igreja é o instrumento princpal que Deus usa para edificar os seus filhos ao crescimento espiritual para que O possam servir nas outras esferas de trabalho e que estão envolvidos.
No entanto, vou afirmar mutas vezes que o nosso pecado é em desvalorizar a importância do trabalho diário como não sendo “santo” e uma ênfase no ativismo eclesiástico como sendo trabalho “santo”.
Veremos que isso resulta em uma das duas grandes doenças que temos em relação ao trabalho: Idolatria ou indolência.



quarta-feira, janeiro 29, 2020

The masculine Mandate, Richard D. Phillips


Richard D. Phillips vai contra a corrente na visão do papel do homem ao que a sociedade prega.
O homem deve sentir-se bem, experimentar coisas novas e ser feliz, é isto que nos é ensinado pela nossa geração. Por outro lado, o homem ainda é tido como aquele que nada sente, que não se importa com o outro, que é um duro na vida.
No entanto, usando como base Bíblica o relato da criação em Génesis, percebemos que a intenção de Deus ao criar o homem foi bem diferente.
Antes de mais, o homem foi criado para viver num jardim, e para viver acompanhado por uma ajudadora idónea. Por isso, o homem foi criado para viver dentro de limites e para ser social.
O que marca mais o papel do homem no mundo, no entanto, são outros dois aspetos. A verdade é que o jardim Éden desapareceu, logo os limites geográficos do homem já não são aqueles, e parte do castigo de Deus por causa da queda foi a corrupção do relacionamento entre os sexos, sende necessário uma restauração no coração do homem e da mulher.
O homem ao ser criado tinha duas tarefas, cuidar do jardim e proteger o jardim. É com base nesta premissa que todo o mandato do homem é afetado.
Em todas as áreas da vida do homem podemos ver que o homem é chamado a cuidar, e a proteger. Por outra lado, quando não o faz está a desviar-se do propósito de Deus e, consequentemente, a pecar.
O homem é chamado para cuidar dos que Deus colocou ao pé de si. Cuidar significa promover crescimento, ser instrumento para aperfeiçoamento, embelezar, ajudar a amadurecer. É este o tipo de amor que o homem é chamado a ter pela sua esposa.
O homem é chamado para proteger o que Deus colocou sob seu cuidado. Proteger significa pagar o preço, caminhar a milha extra por aqueles que estão connosco.
De facto, o problema de hoje em dia é que muitos homens nem pensam nisto. Fazem a sua vida da forma mais egoísta possível e em muitos casos de forma infantil.
O resultado é uma sociedade que recorre com todo o afã ao feminismo, uma família perdida, pais ausentes, filhos insubmissos, etc.
Ou seja, o homem irresponsável não faz mal só a si, mas a toda uma sociedade.

quarta-feira, agosto 14, 2019

Aconselhamento pastoral

Acabei de ler mais um livro, "O pastor e o aconselhamento" de Jeremy Pierre e Deepak Reju.
Para além do nome do segundo autor fazer-me sempre lembrar Tupack Shakur (nem sei se é assim que escreve), este foi um livro bastante útil, tal como o anterior de Jonathan Leeman.
O aconselhamento é grande fatia do trabalho pastoral. É um trabalho lento, gradual, sem sucesso garantido, mas imprescindível.
A tese dos autores é que os pastores foram chamados para cuidar de pessoas e aconselhar é cuidar de pessoas.
O objetivo do aconselhamento Bíblico é levar a pessoa a reconhecer Deus e a Sua obra na sua vida. Visamos que aquele que está em dificuldade conheça melhor a Deus, dependa dEle e seja curado por Ele.
Este é um livro muito prático com instruções diretas em todas as fases do aconselhamento.
Nem sempre teremos sucesso nesta caminhada. Não temos sucesso por defeito nosso, por falta de determinação do outro, por falta de confiança no pastor, etc. Ninguém pode obrigar outro a ser aconselhado, ninguém pode obrigar o outro a fazer determinadas tarefas e 80% do trabalho neste processo deve ser feito pelo aconselhado em vez de pelo aconselhador.
Este ministério é provavelmente dos que mais desgastam as vidas dos pastores. É tão fácil entrarmos nos problemas dos outros, desanimarmos com a falta de resultados, perdermo-nos nos encontros e na frequente manipulação de muitos pacientes. A solução de alguns pastores é negligenciar este trabalho. Ao fazermos isto, estamos a negligenciar o chamado que Deus nos fez e ao próprio Corpo de Cristo.
Por outro lado, devemos pedir continuamente ao Senhor por discernimento para saber até onde podemos ir. Devemos ter a capacidade para saber quando parar o aconselhamento.
Paramos o aconselhamentopor várias razões: Por estar resolvido o problema, por falta de resultados, por estarmos perante um problema que sai da nossa capacidade (geralmente problemas do foro médico ou psíquico), etc. Mas é importante dizer que parar o aconselhamento não significa abandonar a pessoa. É importante, como pastores, se estamos a tratar de um membro da igreja que pastoreamos, mantermos um acompanhamento regular, amoroso e discipulador.
Depois de ler este livro percebi a quantidade enorme de erros de abordagem, e de organização que tenho cometido no aconselhamento que tenho prestado. Percebo que é um ministério em que tenho a crescer muito. Peço a orientação do Senhor para que me possa capacitar.

segunda-feira, agosto 12, 2019

Igreja

Acabei de ler o livro de Jonathan Leeman, "A Igreja e a surpreendente ofensa do amor de Deus". É um livro denso, com letras pequenas e um número de páginas acima da média. Também é um dos melhores livros que já li acerca da Igreja. Eclesiologia aqui é tratada como a vida da igreja local. Sejamos diretos e claros, a igreja global será vivida apenas na glória.
Por vezes sinto que colocamos o "carro à frente dos bois", neste assunto. É muito conveniente (a ênfase na igreja global e não na local) porque, para além de parecer muito espiritual, torna-se o alibi perfeito para não valorizarmos "esta visão tão legalista e mundana que é a igreja local…", "somos superiores a isso", pensamos (embora nunca o digamos…).

Eclesiologia é daqueles assuntos da teologia em que, todos nós temos uma opinião. Todos sabemos quem deve mandar, como devem ser as reuniões, como devemos viver, como deve ser um pastor, quem tem autoridade, se há autoridade sequer, etc.
Por isso, falar acerca a igreja local é como entrar num ninho de vespas, em que cada um tem o seu ferrão, e cada uma pensa da sua maneira. Por outro lado, a realidade é que a visão de igreja local tem sido tão diluída e confundida com uma visão consumista e individualista que, em muitos casos, só podemos assumir humildemente que, temos perdido o foco do que a Palavra de Deus tem como propósito para a Igreja de Jesus Cristo.

A forma como entendemos o amor no nosso mundo é central para a Igreja. Culturalmente, o amor justifica tudo, tolera tudo e não julga. Aliás, se eu julgo ou rejeito alguma coisa, já não amo.
No entanto, o amor de Deus e o amor que a igreja é chamada a viver não tolera e muitas vezes, julga. O amor de Deus visa a Sua glória, logo, tudo o que rejeite a sua glória é rejeitado pelo Seu amor.
A igreja é chamada a amar desta forma, o alvo maior do amor é dar o melhor ao outro, e o melhor é Deus. O amor de Deus colocado nos nossos corações, volta para Deus com adoração e glória. Deus não nos ama por nós mesmos, mas ama-nos para Sua Glória.

É este conceito que traz sentido à vida da Igreja, à importância da membresia e da disciplina.
A membresia, apesar muito criticada por muitos pensadores evangélicos, é extremamente importante. Basta dizer isto, se não há membresia, a Igreja é tudo e a Igreja é nada. Se querem saber mais leiam o livro (ele explica muito melhor do que eu)...
A disciplina, ainda mais rejeitada, é um ato de amor. A igreja que ama a Deus e ama o seu irmão, disciplina para que a Glória de Deus seja recuperada na vida daquele que A tem rejeitado.
A membresia e a disciplina entram em harmonia quanto alguém vive em pecado não arrependido e a Igreja percebe que a pessoa não tem o Espírito de Deus, logo, não é Igreja, logo é excluída.

A grande notícia que a igreja tem que abraçar é que ela foi criada por Jesus, e foi-lhe dada autoridade para julgar, decidir e ser representante de Jesus na terra. Aliás, só a igreja tem esta autoridade dada por Deus na terra.
O que faz com que a vida cristã só pode ser vivida na comunhão com a igreja. Só a igreja tem a autoridade para confirmar os sinais da salvação (que não é o mesmo que dizer que a igreja salva… não é isto que estou a dizer.), só a igreja tem a autoridade e a capacidade para admoestar, encorajar, ensinar, sujeitar o cristão a vivar em obediência à Palavra de Deus.

Finalmente, Leeman fala de aspetos práticos. Não posso esperar que os membros vivam de acordo com o Evangelho ou de acordo com o que é esperado deles se não lhes informarmos, amorosamente como devemos viver. Este livro ajudou-me a perceber a importância de algo que eu não valorizava tanto que é a organização dos registos. O rol de membros, um documento que defina os termos da nossa aliança de membresia, uma declaração de missão, uma declaração de fé, são tudo documentos extra-bíblicos que nos ajudam a amar e a orientar os membros da Igreja a viver com Igreja.

Amo mais a Igreja hoje do que quando comecei a ler este livro.

quinta-feira, julho 11, 2019

Depressão e Graça, Wilson Porte Jr.

A questão moderna das doenças de alma como alvos de tratamento pastoral ou não, é parte do que Porte Jr. trata neste livro.
Ouço, com muita frequência, vozes crítica a um aconselhamento pastoral, ou tratamento espiritual de assuntos como doenças do foro psíquico. “O pastor deve ficar no seu lugar e deixar os psicólogos tratar dos seus”.
Concordo em tese com esta afirmação. O problema reside no que delineamos como os problemas referentes aos pastoes e os problemas referentes aos psicólogos. Concordo que tal como uma pessoa que tem uma gripe, precisa de se tratar medicinalmente, uma pessoa com uma doença do foro psíquico, deve ser tratada nessa área.
O que muitas vezes observo é exatamente o contrário. Os psicólogos tentam administrar tratamento em assuntos que não lhes dizem respeito. Coloca-se toda a “doença de alma” no mesmo “saco” e pressupõe-se que toda ela deve ser tratada psicologicamente.
Quando a disfunção é física e mental, assim deve ser tratada, mas também tem que se ter em conta que muita doença “mental” é, no fundo espiritual. Qualquer tratamento, meramente psicológico será apenas um paliativo, que mascara ou encobre um problema que ficará sempre por curar.
Creio que teremos que crescer, em ambos os sectores, psicologia e pastorado, em sensibilidade para perceber com mais rigor o que é o quê.
Ambos são de extrema importância, mas ambos são tremendamente destrutivos quando invadem o campo de ação do outro.

Dito de oura forma, é extremamente importante que uma pessoa que sofra de depressão seja tratada por médicos, ou profissionais da área, no entanto, nunca devemos escamotear que há muita dieça que é resultado de pecado, e que arrependimento e oração são primordiais nestes casos.
Para além destes pormenores, há palavra de esperança para todos os que são filhos de Deus.
Deus está sempre connosco. É impressionante como o sentimento de solidão é uma constante na depressão. Mesmo nesse fase aguda, temos que nunca esquecer que Deus está sempre presente.
Deus cuida de nós. Somos criados por Deus, Deus conhece todo o nosso interior, Deus sabe o que o nosso mais íntimo necessita. O resultado é que Deus te o que verdadeiramente precisamos. Ele cuida da nossa alma da forma mais profunda possível.
Nãoo temo em nós capacidade suficiente para ultrapassarmos sozinhos a depressão. Aliás este é o fator que vai definir se Deus vai cuidar de nós ou se nós iremos tentar vencer com a nossa força. Aquele que é filho de Deus tem sempre maior fonte de poder, amor e sabedoria à distancia de uma oração. Num mundo ideal, o cristão nunca entraria em pânico. O pânico impede-os de desfrutarmos da ação de Deus na nossa vida.
A Bíblia está releta de casos de servos de Deus que revelaram sintomas e sinais de grande tristeza e depressão. Em todos eles Deus agiu cuidando, em parte deles a solução passava por tratamento físico, em outra parte por arrependimento, oração e comunhão com Deus.
O que quero dizer com isto é que Deus é imprescindível para a verdadeira cura de todas ass depressões, no entanto, muitasa delas requerem tratamento médico.
A boa notícia é que a presença de Deus que o discípulos, no ministério de Jesus sentiram, é exatamente a presença que sentimos hoje. O Espírito, Consolador, vem enviado por Jesus, e em substituição equiparada a Jesus, porque trata-se do Espírito do próprio Cristo.
Outra boa notíccia de graça é que a mensagem e as Palavras que nos devem animar e restaurar, continuam em ação nos nossos dias. Aliás, é para isso mesmo que o Espírito Santo vem às nossas vidas. Para nos lembrar das Palavras de Cristo.
A conclusão a que chegamos é que se existe alguma falha no que diz respeito à cura divina, tem a ver com uma falha nossa de não buscarmos a Deus como deveríamos, e não de Deus não agir como prometeu na Sua Palavra.

sábado, julho 06, 2019

Esta minha mania de ler vários livros e tentar integrá-los numa conclusão apenas…


Somos pessoas imperfeitas, pais imperfeitos, pastores imperfeitos, trabalhadores imperfeitos.

Esta é a clara convicção com que fico depois de ler três livros juntos. Um acerca de ministério pastoral, outro acerca de criação de filhos e outro acerca de teologia do trabalho. A saber, “Pastor Imperfeito”, Zack Eswine; “O Evangelho no Trabalho”, Sebastian Traeger & Greg Gilbert; “Pastoreando o Coração da Criança”, Ted Tripp.

Nada do que temos é um fim em si mesmo, aliás, tudo o que temos, apenas ganha significado se percebermos que acima de tudo está Deus. Deus é o nosso patrão no trabalho, Deus é aquele que apontamos para que os nossos filhos conheçam e amem e no ministério pastoral procuramos caminhar à velocidade de Deus, morrendo cada dia para que seja Deus a fazer o que tem de ser feito.

A grande tentação nestas áreas é a de vivermos centrados em nós. Trabalhar em função da carreira idolatrando-a ou sendo indulgente, educar filhos para manipular o comportamento a fim de sermos louvados ou pastorear para a grandeza e para o louvor dos homens.

A educação é um trabalho lento, contínuo, invisível e muito trabalhoso. O nosso alvo é atingir o coração da criança, não apenas condicionar o seu comportamento. O ministério pastoral sofre da grande tentação da impaciência, da busca desenfreada por uma agenda preenchida e por “fazer grandes coisas para Deus”. No entanto, é no silêncio, junto dos que ninguém conhece, fazendo um trabalho de contemplação, esperando pela ação de Deus que se move o pastor. Pode ser que Deus faça algo grandioso até aos nossos olhos, aí acompanhemo-lo. Mas a grande lição é que o pastor não foi chamado para buscar e viver em função de coisas rápidas e grandes. Ele é chamado para cuidar de pessoas nos lugares onde mais precisam.

O pastor não pode estar em todo o lugar, não consegue curar todas doenças e não consegue lutar todas as batalhas.

O trabalho “secular” (com secular refiro-me ao que todos nós entendemos, erradamente, como trabalhos que não são religiosos), é ministério. Não menos que o pastoral ou o missionário. O trabalho é santo, é mandamento de Deus para dominar a terra.

O filho de Deus não faz separação entre secular e pagão. Deus é o Senhor de tudo. Logo, servindo com os olhos postos no grande Senhor, todos somos ministros de Deus.

Sendo pastor, sendo trabalhador “secular, sendo pai, servimos todos ao mesmo Deus. Deus é o denominador comum em todas as áreas, para Ele vivemos.  

terça-feira, junho 25, 2019

Uma teoria

Eu tenho uma teoria. Não é algo confirmado, é apenas empírico, mas é resultado da minha observação diária às famílias e à sua forma de educar os filhos.

Nunca vivemos um tempo em que, como hoje, tenhamos tantas distrações, ofertas de entretenimento, com tanta qualidade e tão eficazes no propósito a que se propõem, entreter.
É muito fácil distraírmo-nos com um sem número de eventos que nada mais fazem do que nos fazer rir e aumentar o nível de adrenalina no nosso sangue.
Gostamos muito destas atividades, porque nos fazem sentir vivos. No entanto, como os nossos corações estão longe de Deus, estas atividades também contribuem para nos afastar ainda mais deste mesmo Deus, porque colocam-nos, a nós, no centro da vida e não ao Senhor.
O que é que isto tem a ver com a educação de filhos? Muito.
Creio que, como pais, pecamos ao não colocar limites nos atividades "extracurriculares" que oferecemos aos nossos filhos. Pode parecer castradora esta minha opinião, e talvez até seja. Acreditamos que ao proporcionar aos nossos filhos todas as experiências possíveis nesta vida, estamos a contribuir para o seu crescimento saudável, informado e completo. A minha teoria é que ao fazermos isto estamos, de facto, a alimentar um coração distante de Deus que não se deleita, naturalmente, com o maior prazer de todos, que é Deus.
Isto acontece porque os nossos corações são doentes (os dos adultos e muito mais os das crianças), e por isso, temos um grande desequilíbrio nos nossos afetos. Não temos, como pecadores, a capacidade de escolher o melhor bem.
O amor a Deus e o deleite na Sua presença á algo que só uma transformação radical, operada pelo Espírito Santo pode conseguir. Tal como o gosto pela boa música, a boa alimentação, e outra coisas desse género, têm que ser aprendidas, o amor a Deus deve ser ensinado e buscado, contrariamente ao que a nossa natureza deseja.
O problema é que, creio que os pais têm encharcado com atividades e estímulos os seus filhos. Com isto, eles alimentam um coração sedento por entretenimento, que é egoísta e que se rege pela ênfase desmedida nos sentimentos. Contribuímos, com isto para que os seus corações se tornem cada vez mais entretidos, mas também mais egoístas. A criança sente, claramente, que quem está no centro é ela própria.
É exatamente isto que o entretenimento faz, coloca-nos num trono, em que tudo gira à nossa volta.
Quando a criança entretida lida com a fé e com os prazeres de Deus, perde a capacidade de se maravilhar com o maior prazer que existe, pura e simplesmente porque não está educada noutro tipo de prazer que não seja um prazer que revolva à sua volta.
Temos criado uma geração incapaz de se maravilhar e de adorar.
Os líderes das atividades cristãs, tentam, na melhor das suas possibilidades, competir com a atração enganosa do mundo. Atividades com jogos, fantoches, imagens, etc. são o melhor que conseguem. Mas esta é uma luta inglória porque o Evangelho e o prazer em Deus não são entretenimento.
Devemos, como igreja, tornar as atividades o mais atrativas e relevantes possíveis, mas não deveríamos ter a expectativa de trazermos mais entretenimento do que as distrações que profissionais, dedicados ao entretenimento conseguem fazer na nossa sociedade. Pura e simplesmente, o entretenimento, por si só, não deve ser o nosso alvo, mas sim Deus.

A ordem Bíblica em Deuteronómio 6 não é para encharcarmos os nossos filhos com todo o tipo de experiências possíveis. A ordem que ali temos é para os enchermos da Palavra de Deus.
Creio que temos pecado em estimular em demasia os nossos filhos com atividades que apenas entretém, que "não têm mal nenhum", mas que, ao mesmo tempo, também não levam os nossos filhos aos pés do Senhor.
Creio que, como pais que querem levar os nossos filhos a temerem o Senhor, temos que os proteger de muitas atividades "inocentes", temos que dizer não a muita coisa que vem à nossa porta, temos que limitar os nossos filhos de muita coisa que apenas vai alimentar o seu egoísmo e a sua sede por entretenimento vazio.
A nossa função é guiá-los para um relacionamento com Deus e ajudá-los a educarem os seus corações para amarem a Deus e assim conhecerem o maior prazer do mundo.
Devemos ensinar que o jogo de futebol não é mais importante do que congregar em igreja, a festa da cidade não é mais importante que o acampamento da igreja, o filme não é mais importante que a leitura da Bíblia nem que a oração ou o culto doméstico.
Por isso, faltar ao jogo, não ir à festa (mesmo que eles esperneiem), desligar a televisão (repito, mesmo que eles esperneiem), podem ser, no futuro, as melhores decisões que tomámos para ajudar os nossos filhos a conhecerem o Senhor.

segunda-feira, junho 24, 2019

Centralidade do Evangelho

Acabei de ler outros dois livros. Um sobre ajudadores, "Lado a Lado" de  Dave Furman e outro sobre parentalidade, "Instruindo o Coração da Criança" Tedd e Margy Tripp.
Estes dois livros, aparentemente desconexos, convergem para uma mesma ideia, a centralidade do Evangelho na nossa vida.
Ao cuidar de pessoas que sofrem, ao aconselhar, acompanhar e conversar, somos tremendamente tentados a colocar o peso da solução na pessoa em si ou até mesmo em nós. Daí que, por vezes, saiam comentários e conselhos que, em vez de animarem o coração da pessoa, apenas a levam para mais um beco sem saída, isto para não falar de momentos em que o resultado é nada menos do que puro desânimo.
Queremos e pensamos que temos de ter todas as respostas na ponta da língua. Queremos ter sempre a palavra "mágica" que vai revolucionar toda a vida da pessoa depois de a ouvir.
Ao fazermos isso, é inevitável cairmos num humanismo barato e por vezes até caro e evoluído, mas não obstante, é sempre humanismo, o homem está no centro.
A solução não está em nós, está sim, na mensagem do Evangelho, na graça de Deus que, mesmo não apresentando uma solução imediata, é a solução efetiva.
Aprendi que muitas vezes o que nos é pedido é apenas sofrer com a pessoa, em silêncio. Não há nada de errado em dizer que não percebemos porque é que está tudo a acontecer. É bom partilharmos a nossa vulnerabilidade de forma clara.
A pessoa que sofre precisa de esperança, mas também precisa de ver valorizado e compreendido no seu sofrimento. O que é que devemos fazer? Apontar para Cristo.
Devemos levar a pessoa que sofre para um Deus de graça que nos ama e que nos dá uma esperança que ultrapassa qualquer circunstância. Lembrar que mesmo na solidão Deus está sempre com a pessoa, e o amor de Deus nunca a abandonará.

Esta centralidade do Evangelho também é primordial na instrução dos nossos filhos. A educação é muito mais um ato contínuo de vida do que apenas momentos esporádicos em que ralhamos com aqueles que Deus nos deu.
Por ser um ato contínuo, educar é uma tarefa dantesca, que só pode ser feita na dependência de Deus.
O Evangelho ocupa o lugar central nesta tarefa porque o maior problema dos nossos filhos, tal como o nosso, não é o seu comportamento, mas o seu coração. Apenas o Evangelho pode transformar o coração.
É importante mostrarmos que somos pecadores como eles, é importante ouvirmos e valorizarmos as suas lutas, é importante vivermos afincadamente o evangelho nas nossas vidas, porque em tudo isto, ensinamos ao coração da criança.
A grande tentação dos pais é condicionar o comportamento sem dar importância ao coração. Mas como é importante que nós pais, despertemos para falar ao coração dos nossos filhos!
Se eles compreenderem que, tal como nós, eles estão num caminho difícil, que envolve muitas batalhas, e que até nós como pais nem sempre as vencemos, a frustração, a revolta e o descrédito pela fé serão diminuídos.
Sabemos que, mesmo educando de forma temente a Deus os nossos filhos, não temos a garantia de que eles serão filhos de Deus, mas essa é a ordem expressa de Deus para os pais que são tementes a Deus.
Não permitamos que seja a escola ou a sociedade a educar os nossos filhos.
Se nós como pais não formos propositados na nossa educação de filhos, garanto-vos que Satanás o é.
Finalmente, o Evangelho ocupa o lugar central na educação, porque a educação é uma forma de discipular as crianças que temos ao nosso cuidado.
A graça que recebemos de Deus, é a graça que devemos demonstrar ao lidarmos com os nossos filhos.

É o Evangelho que deve reger a nossa mente. Ele é central em todas as coisas. É tão fácil, em momentos de provação, de dor, sofrimento, de fraqueza, buscarmos uma solução que nos fortaleça humanamente ou comprove a nossa razão. Em vez disso, sou lembrado que Deus está no controle de todas as coisas, se algo veio à minha vida, foi porque Deus o permitiu, Deus tem um plano.
A minha parte no desafio? Ser-lhe fiel e honrar o Seu Nome.