segunda-feira, dezembro 03, 2007

Rasca

Quem me dera saber escrever...
Quem me dera saber escrever ao ponto de falar com propriedade do botequim, quando vou lá ver a "bola".
Seria, agora que estou entusiasmado com ele, alguma coisa tipo Hemingway... Um Hemingway rasca, mas bem escrito.
Já não existiriam os telegramas entre personagens, nem cartas do correio lentas que aumentam a espera mas também o gozo de as receber (essas são abundantes em Hemingway). Não haveriam as viagens de comboio, longas e demoradas, nem as esperas de semanas seguidas em puro ócio e em esplandadas requintadas.
Escreveria, apenas, sobre os noventa e poucos minutos que duraria o jogo e o pagamento das contas ao proprietário do estabelecimento. Nada de falar da vida de um e de outro.
Não haveriam herdeiros ricos, nem escritores boémios com a conta bancária sempre bem "recheada". No botequim andam construtores civís, seguranças nocturnos, funcionários públicos... pessoas que todos os dias têm que labutar para ganhar o pão que rapidamente transformam nos vícios da perdição.
Não há obviamente o rum nem o champanhe, nem o cachimbos. Vinho a martelo e cigarros baratos são os grandes protaginstas aqui. Seria tudo muito mais cru...
É uma vida perdida, uma espiral descendente que começa com o fim do trabalho remunerado e termina no outro dia de manhã.
No próximo fim de semana haverá "bola" outra vez...


P.S. - A diferença em mim é que antes também gastava o meu dinheiro nos meus vícios.

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