quarta-feira, janeiro 08, 2014

Três coisas

Primeiro: Já não escrevo há muito tempo. Isso faz-me mal a mim e a vós bem.
Segundo: Luto com a constante tentação de fazer apenas o mínimos expectáveis.
Terceiro: O culto, mundano, da personalidade tem feito voltar os "heróis humanos" que fazem tudo bem e são dotados em inúmeras áreas. Pensando bem, muito disso é "fogo de vista", mas lá atraente é. Tenho que mortificar a minha mente neste desejo (obviamente, fico-me mesmo pelo mero desejo) também.

segunda-feira, junho 03, 2013

Uma questão que me assalta



À medida que leio um livro acerca de oração, sou incomodado, constantemente, por uma questão acerca da vida cristã.
Porque é que vivo como devo viver? O que é que faz com que eu deva ser obediente? O que é que me leva a ser alguém de oração? O que é que me motiva a ter fé, vontade de estar com Deus, fazer boas obras?

Vejo claramente que duas pessoas podem exibir o mesmo comportamento de “bom cristão”, e nem por isso, ambos estarem em paz com Deus.

Os meios não nos levam ao fim.
A oração não é uma forma de eu conseguir algo.
A obediência não me torna mais espiritual.
A confiança não me faz aproximar de Deus.

Primeiro, Deus oferece-nos o fim. Deus, em Cristo, justifica-nos, anulando o poder do pecado obre nós. Esta acção de Deus sobre nós permite a nossa comunhão com Deus. Tudo isto é oferecido por Deus a nós. Depois, a oração, a fé, a confiança, a obediência, e outras boas obras são, acto de adoração e gratidão pelo que Deus nos fez. Mas creio que o ensino Bíblico vai ainda mais longe, nenhuma destas obras ou disciplinas, ou relacionamentos com Deus (como as quiserem chamar), são obra nossa. Deus age em nós levando-nos a crescer em cada uma delas.

Sendo assim, a oração acontece porque Deus colocou em mim um desejo de O conhecer e, por isso, busco-O. A obediência acontece porque Deus colocou em mim um amor tal por Ele que o meu maior anseio é obedecer e fazer a Sua vontade.
A pergunta que surge imediatamente, então, é, “porque é que uns oram mais do que outros, uns são mais obedientes do que outros?”

Creio que a reposta pode ser dada, pelo menos, de duas formas:
Em primeiro lugar, acredito que muitos membros de igrejas que reputamos por serem salvos, porque certo dia levantaram a mão a um apelo, não são salvos. Muita gente nas igrejas é religiosa, aficionada, interessada, curiosa, mas não convertida. Em segundo lugar, é ensino Bíblico que é possível crescermos na fé e no compromisso com o Senhor. Se é possível crescer, entende-se que hajam uns mais “infantis” do que outros.
A grande questão que tenho em relação a estes casos, é que parece que a largíssima maioria da membresia das igrejas é espiritualmente infantil, e não faz nada em relação a isso.
A questão, como tinha dito anteriormente é: Será que o cristão, realmente convertido, não quer crescer?

quinta-feira, maio 09, 2013

Estabilidade

Cheguei à ilha do Faial, Açores há, pouco mais de, três meses. Mudámos a nossa vida, porque decidimos aceitar um convite para pastorear a Igreja Baptista da Horta, a única cidade da ilha.
Nestes três meses, já muita coisa aconteceu, entre elas, duas mudanças de casa.
Para quem me conhece, sabe que, mudanças é do que menos gosto. Sinto-me completamente "fora de água" quando vivo aquelas semanas de transição, perco qualquer rotina que tenha construído, pareço perdido, desconfortável, "na lua", etc.
O meu anseio é conseguir uma rotina que englobe fazer exercício, estudar, pastorear, tempo com a família, e descanso, de forma regular. A isto chamo de estabilidade.

Receio que esteja a depender demais deste meu anseio, em vez de fazer o que tem que ser feito em qualquer circunstância.
Receio que esteja a pôr a minha estabilidade nas circunstâncias, em vez de no Senhor.
Receio que, na minha linha de profissão, servindo ao Deus que sirvo, e vivendo a vida que vivo, estabilidade, como a defini anteriormente, seja uma ilusão.

sexta-feira, abril 19, 2013

O Apóstolo

"Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, aos santos que estão em Éfeso e fiéis em Cristo Jesus: a vós graça e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e da do Senhor Jesus Cristo. Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo,"
Efésios 1: 1-2



Uma introdução a uma carta é sempre algo revelador. Ali vemos se a pessoas têm intimidade, que tipo de pessoa é que escreve, que tipo de pessoa recebe, se são familiares, se são familiares que se dão bem, se é uma relação “politicamente correta apenas, etc.
Quando há grande familiaridade, basta um “querido fulano” para se começar a carta. Não são necessárias palavras “caras”, nem formatações específicas, nem carimbos, nem outras coisas assim, para que se valide a carta.
Quando não a há, então, são outros os procedimentos. Até existem minutas para servirem de orientação na composição dessas cartas. A formatação, os termos, os prefixos, os sufixos, são todos imprescindíveis e sem eles a carta, poderá nem ser lida.
Nesta introdução vemos muito do que Paulo é. Vemos não o só o que Paulo é mas também vemos o que Paulo é em relação aos leitores da sua carta. Também vemos, nesta introdução, o que é que a igreja deve ser. E finalmente, vemos, nesta introdução, que sentimentos devemos ter para com os outros.

Paulo chamava-se apóstolo. Apóstolo significa “enviado”. Aliás, noutras cartas, para Paulo, é importante argumentar claramente acerca da sua autoridade apostólica.
Isto significa que Paulo era alguém enviado por outrem. Não tinha sido a sua vontade que o tinha levado até ali, antes, ele tinha sido mandado para ir.
Mas não é o apostolado de Paulo que me chama atenção. Porque podemos alegar que não somos apóstolos, há até quem creia que os apóstolos foram só os que viveram no Novo Testamento, os que viram, pessoalmente, o Senhor Jesus.
O que me chama atenção, mais do que saber que Paulo abdica da sua própria vontade para conduzir a sua vida, é a pessoa a quem ele entregou este caminho.
O que fazemos, onde trabalhamos, onde vivemos é a vontade de quem?
O que Paulo nos diz é que, ele era quem era, porque Deus quis que ele fosse quem fosse. Ele tinha abdicado da sua vontade, para a entregar a Deus.
Nós alegamos as mais variadas razões para sermos como somos. Alegamos a nossa personalidade, traumas, doenças, culpa dos pais, educação, terra onde vivemos, etc.
Mas raramente dizemos que somos assim porque Deus quis.
Aprendemos com Paulo a sermos o que Deus quer que sejamos. Aprendemos a matar a nossa vontade e os nossos planos para que sejam os planos de Deus a vingar. A nossa opinião é posta em segundo plano para que seja a do Senhor a vingar.

quinta-feira, abril 11, 2013

A autoridade



"Que do mesmo modo as mulheres se ataviem em traje honesto, com pudor e modéstia, não com tranças, ou com ouro, ou pérolas, ou vestidos preciosos,  mas (como convém a mulheres que fazem profissão de servir a Deus) com boas obras. A mulher aprenda em silêncio, com toda a sujeição. Não permito, porém, que a mulher ensine, nem use de autoridade sobre o marido, mas que esteja em silêncio. Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva. E Adão não foi enganado, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão. Salvar-se-á, porém, dando à luz filhos, se permanecer com modéstia na fé, na caridade e na santificação. "
I Timóteo 2:9-15


Existe, constantemente, uma reacção negativa, por parte de alguns que não crêem na liderança do homem no lar e também dos que crêem que a consagração ao pastorado feminino é da vontade de Deus (poderão ser pessoas que crêem em ambos ou que apenas crêem em um destes items), que – ia dizendo – o ensino accerca da liderança do homem é um ensino de inferioridade para a mulher.

Creio que não existe inferência mais equivocada possível. Aliás, esta conclusão só pode ter quem ou tem uma ideia errada acerca da imagem de Deus, ou acerca da liderança como está ensinada na Bíblia.

Obviamente, não serei extensivo na apresentação de textos Bíblicos, porque muitos se repetem na mesma ideia, e porque não quero tornar este artigo grande demais.

Em Génesis 1 lemos acerca da criação do homem e da mulher. No versículo 27 lemos que ambos foram criados à imagem de Deus. Logo, ambos são, desde a criação, portadores da imagem de Deus. Ambos têm a mesma importância, ambos devem reflectir o Senhor Deus, de alguma forma, no plano que cada um recebeu do Criador.
Este último ponto é de grande importância.
Imagem de Deus (que portamos) não significa só que temos espírito, razão, nem que somos dominadores da terra, mas também significa que, no homem, na mulher e na relação entre eles, deve-se reflectir o próprio Deus.
Deus é comunidade. Pai, Filho e Espírito. O Pai enviou o Filho e o Filho obedeceu ao Pai (Mateus 10:40, João 3:16, João 4: 34), Jesus enviou o Espírito e o Espírito fala do que Jesus ensinou (João 14:16, 26). Estes textos falam de parte do relacionamento que existe na Trindade.
Foi à imagem deste Deus que fomos criados. Curiosamente uma marca da imagem de Deus no homem é a família, o sermos seres relacionais e a igreja, que por sua vez é o corpo de Cristo.
De que forma é a Trindade tem alguma implicação na forma como vivemos a vida?
A vida deve ser uma imagem da Trindade.
Por isso entende-se a liderança na família e a liderança na igreja.
O ensino Bíblico acerca da liderança vem na sua génese da Trindade.
Apesar de haver, como nos indicaram os textos Bíblicos acima, liderança e submissão na Trindade, não há, porque a Bíblia não ensina assim, superioridade nem inferioridade de nenhuma daquelas pessoas.
Logo, a liderança Bíblica não é uma posição de superioridade, antes, é uma função. Mas sejamos claros, ela existe e é claramente ensinada pela Palavra.

Por vezes a falha de interpretação vem com a má leitura da crítica que Jesus faz em Mateus 20: 25. Note-se que ele não está a abolir a liderança, antes está a definir essa mesma liderança. Quando diz: “entre vós não será assim.” Não está a dizer que não haverá líder, mas que a liderança entre nós não será com é no mundo.
Cremos que deve haver liderança na igreja e que essa liderança deve exercer autoridade, mas é o Senhor quem tem autoridade (Mateus 7: 29; 9: 6; Marcos 13:34; Romanos 13:1-3). A autoridade, então, é delegada por Deus ao líder/ Pastor/ Bispo/ Presbítero (escolham a denominação que mais voz apraz).

Se não houvesse liderança, ou se a liderança não usasse autoridade, como seria a igreja? Quem é que admoestava, disciplinava, ensinava? Toda a igreja? Crentes maduros e imaturos? Idóneos e néscios?
Não podemos crer na demagogia de uma igreja que tem toda a pretensa “maturidade” para tratar dos seus acefalamente, nem numa revelação comunitária dirigida a um corpo composto por membros espirituais, carnais e até perdidos. Nem nós, nem o Senhor acredita nisso. Por isso é que Ele designou a liderança à Sua igreja.

O ensino que temos, por outro lado, e como já se disse, é que a liderança não deve ser como é no mundo. A saber, imposta, forçada, autoritativa, sem ser exemplar.
Em I Tessalonicenses 3: 7-10 a autoridade era assumida por Paulo. Ele tinha autoridade, mas a diferença é o tipo de liderança que Deus quer que tenhamos. Uma liderança de exemplo.
Textos como, Tito 1:5- 11; Actos 20: 28- 31 e I Timóteo 5:17, não deixam qualquer margem de dúvida para que percebamos duas coisas.
Havia liderança na igreja e a liderança da igreja exercia autoridade. No entanto, não há sítio nenhum em que sejamos levados a crer que os líderes eram superiores aos restantes cristãos.

Em forma de conclusão, Deus designou liderança na família, e liderança na igreja. Ambas são imagens dEle próprio.
O homem é quem tem sobre os ombros esta função. O homem é o líder no lar (Efésios 5 22-31, Colossenses 3: 18- 19, I Pedro 3: 1-7). E como não poderia deixar de ser, porque é claro na Palavra (I Timóteo 2: 9-15, I Coríntios 14, Tito 2: 1-5), mas porque é um caminho lógico, o homem também tem esse ministério na igreja.

Nada disto, significa que o homem seja superior à mulher, quer sim dizer que é diferente da mulher.
E a diferença entre ambos é que, no fundo, é a razão disto tudo. Se fossem ambos iguais, porque é que Deus tinha criado homem e mulher? Só para procriação? Quais são as diferenças entre ambos?

quinta-feira, abril 04, 2013

Parece que no post anterior tive problemas no processamento do texto. As nossas mais sinceras desculpas.

O contexto



"Quero, do mesmo modo, que as mulheres se ataviem com traje decoroso, com modéstia e sobriedade, não com tranças, ou com ouro, ou pérolas, ou vestidos custosos, mas (como convém a mulheres que fazem profissão de servir a Deus) com boas obras. A mulher aprenda em silêncio com toda a submissão. Pois não permito que a mulher ensine, nem tenha domínio sobre o homem, mas que esteja em silêncio. Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva. E Adão não foi enganado, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão; salvar-se-á, todavia, dando à luz filhos, se permanecer com sobriedade na fé, no amor e na santificação."                       
I Timóteo 2: 9- 15

A mais comum interpretação a este texto é que ele era destinado a uma circunstância cultural específica. Ou seja, este ensino era destinado aquela igreja naquela altura, porque haviam falsas profetas, então, na igreja a mulher não deveria ensinar. Esta explicação parece-me fraca, apesar de ser confortável, e por vezes até bem defendida. Melhor do que eu, com certeza, defenderei a minha causa.
Primeiro problema 
Imaginemos, então que sim, este ensino era cultural e o critério era: se há falsos mestres mulheres, as mulheres não devem ensinar na igreja.Não seria de esperar que os homens também não ensinassem? Sempre houve falsos mestres, falsos profetas masculinos e nem por isso a Palavra, em alguma altura, se refere a que o homem não ensine.
Segundo problema
Continuando a "ir à bola" com a ideia de que é cultural...Estamos a dizer, então, que na nossa cultura não existem falsas profetizas, nem falsas professoras.                                                                                                           Estão a falar a sério?
Terceiro problema
Não creio que seja um ensino cultural. O contexto imediato do texto que citámos acima fala da oração de devemos a todas as classes de pessoas. A "reis, e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranqüila e sossegada, em toda a piedade e honestidade." O cristianismo estava "nas mãos" do povo, e facilmente poder-se-ia tornar uma crença elitista, excluindo os poderosos. 
Em alguns círculos, ainda hoje, existe uma tendência para marginalizar os mais ricos ou mais poderosos. A fé também é para os poderosos e ricos e autoridades, e por eles também devemos orar.
Não é este, no entanto, o ponto que quero salientar. 
O que quero é perguntar: qual foi o critério para dizer que até ao versículo 8 do capítulo 2 não é cultural e do versículo 9 em frente é cultural?
Entramos, assim num caminho muito perigoso quando interpretamos desta forma a Bíblia.
Não nego que a interpretação que proponho também não apresente dificuldades. Apresenta certamente. Mas toda a Bíblia é Bíblia, e toda ela a Palavra de Deus. Sendo pastor de uma igreja, que por diversas razões, ainda não vive plenamente em obediência a estas instruções, sinto temor para que, pelo poder do Espírito Santo, de forma mansa e com toda a igreja na compreensão do perfeito plano de Deus, possamos, dia-a-dia caminhar rumo ao que o Senhor tem designado para a Sua igreja.
Uma coisa é certa, não será por força, nem será por imposição. Deus fará o trabalho.
Finalmente, espero conseguir ir explanando outros aspectos do texto acima apresentado, para, desta forma, também eu contribuir para a discussão deste tema.

sexta-feira, março 29, 2013

O pagamento

Confesso que ainda não consegui voltar a escrever organizadamente. Até que ponto isso é fruto da nossa adaptação na nova terra, ou então pura preguiça, não sei.
Admiro, no entanto, aqueles que conseguem manter um ritmo constante de escrita.
Para uma pessoa como eu, tudo que é trabalho gradual, constante, vagaroso, "maratonoso", é um enorme desafio, mas ao mesmo tempo, um grande sonho a alcançar.
Não tenho conseguido...

Mas nesta época, não vos venho falar dos meus falhanços. Antes, quero tentar expressar o que Deus tem clareado na minha mente acerta da época que vivemos.

Nos meus tempos de jovem imberbe, sempre que pensava na crucificação, ficava num impasse.
Se Deus é o Senhor de tudo, Se Ele não tem que responder a ninguém e se Ele quer salvar a sua criação, porque é que teve que existir a cruz? Ainda maior a dificuldade quando se ensina que foi Ele próprio quem foi à cruz. Pensava nisso com temor... mas, ocasionalmente, parecia-me um "espectáculo" montado para mim (sendo que mim refere-se a Deus). Um acto que, na minha mente, não tinha obrigatoriedade de existir, e Deus fá-lo, porque, ensina-no a Bíblia, o preço do pecado tinha que ser pago. Mas quem exige esse preço é o próprio Deus.
É pouco provável que nestas linhas tenha conseguido exprimir o que, de facto, pairava no meu coração.

Deus começou a explicar-me o sentido da cruz. E eu passei a amá-lO mais.
A cruz foi essencial e imprescindível para a nossa reconciliação com o Senhor porque a nossa ofensa a Deus não foi uma ofensa metafórica. Quando a Bíblia ensina que "todos pecamos", Ela quer dizer que, todos traímos o Senhor, desobedecemos, afastámo-nos dEle e perdemos a comunhão com Ele.
Nada disto é linguagem figurativa, nada disto é "faz de conta". Ou seja há uma dívida real, palpável do homem para com Deus. Temos que levar o nosso pecado mais a sério.

A segunda lição que aprendi é que, Deus quer resolver este assunto.
"Então porque é que Ele não "passa por cima" disto tudo e fica resolvido?"
Pela mesma razão que qualquer coisa que é oferecida a alguém tem um custo. Mesmo que seja um rebuçado. Se eu ofereço um rebuçado a uma criança, o rebuçado não foi de graça... foi de graça para a criança, mas eu tive que pagá-lo.
Se assim é para coisas insignificantes, muito mais terá que ser para o que diz respeito à alma, à eternidade, ao relacionamento com Deus.
Para sermos perdoados por Deus, alguém tem que assumir a gravidade do nosso pecado. Primeiro, porque nós ofendemos, de facto, a Deus. E em segundo lugar porque Deus é justo, e a justiça de Deus tem que ser levada a sério.
Sendo assim, das duas uma, ou não somos perdoados e pagamos o castigo do nosso pecado, ou somos perdoados porque alguém pagou o castigo do nosso pecado. Mas no fim das contas, o castigo tem que ser pago por alguém.

Por isso é que a cruz teve que existir. Só pensa que não há razão para a cruz quem, ou não percebeu ainda a gravidade da ofensa que cometeu contra Jesus, ou então não sabe o que é justiça verdadeira.

O Evangelho entra aqui. Eu amo mais a Deus porque Deus me permitiu perceber o que vou dizer a seguir.
É que para pagar o preço do nosso pecado, que Deus exigia para que pudéssemos voltar a ter comunhão com Ele, foi o próprio Deus quem se ofereceu para resgatar o ofensor.

A cruz foi imprescindível, imerecida, mas também a razão pela qual cada vez mais amo o meu Senhor.

quarta-feira, dezembro 05, 2012

Não há meio termo...

R.C.Ryle vem contestar a ideia, comum, que há no seio de algumas igrejas, membros de igreja, interessados pelo Evangelho, etc..
A ideia é que existem três tipos de pessoas: não convertidos, convertidos e participantes de uma vida superior.
Em outras palavras, podemos dizer que, a ideia geral é que, entre os convertidos, se creia que existem convertidos pouco comprometidos e convertidos muito comprometidos com o Senhor.

"A Palavra de Deus apenas fala de duas categorias na humanidade. Fala dos vivos e dos mortos no pecado." 
R.C. Ryle

A falácia deste conceito é que somos levados a pensar que podemos ser cristãos sem entregar tudo a Deus. Não podemos!
É certo que nem todos são vocacionados para os mesmos ministérios, nem todos tocarão no mesmo número de pessoas, nem todos serão conhecidos, na história, como servos de Deus, e cada um tem a sua própria caminhada de santificação.
Mas nessa mesma caminhada, com o conhecimento que temos de Deus, temos que dar sempre tudo o que temos ao Senhor. O Espírito Santo que habita no verdadeiro cristão, impele-o a isso mesmo.
Podemos, quando muito, viver temporadas em pecado, longe do Senhor, mas voltaremos.
E durante essa temporada nunca teremos paz. Se temos, ou se nunca voltarmos, então é porque nunca fomos filhos de Deus.

quinta-feira, novembro 29, 2012

Ainda sobre a Graça...

Mas desta vez ligando-a um pouco mais com o pecado.
Ainda penso na forma como lidamos com a Graça de Deus.
Se por um lado ela é algo que nos é agradável, porque é uma oferta, porque não é algo que se tenha que conquistar, por outro lado, eu tenho em mim uma sede de conquista e de merecimento à qual a Graça de Deus é incompatível. J.I. Packer sublinha isto muito bem.
Aceitar a Graça é perceber a minha pecaminosidade, a minha miséria, é chegar à conclusão de que estou irremediavelmente condenado, sem luz ao fundo do túnel. Nesta situação, o pecador anseia por algo que o socorra, por uma luz ao fundo do túnel, por uma mão que o tire do lamaçal. Esse algo é a Graça de Deus.

Notem que, se o pecador não perceber a sua miséria, se pensar que até é uma boa pessoa, que está no bom caminho, que busca a Deus (Por vezes pensa que é só questão de tempos para O encontrar), a Graça de Deus não é desejada nem necessitada (ainda que não de forma assumida) porque não é necessária, pensa o sujeito.
Se acho que não me é necessária a Graça de Deus, então não a recebo, não sou agraciado por Deus, que faz com que, também, tampouco serei gracioso com as outras pessoas.

Creio que esta é uma das catástrofes do nosso tempo. Estamos cheios de pessoas religiosas que pensam que são "boas pessoas", mas que não se colocaram nas mãos de Deus para receberem da Sua Graça e Misericórdia. Logo são pessoas que, por não terem sido afectadas por tamanho perdão, também não perdoam, também não são graciosas nem misericordiosas, antes, tendem a ser altamente julgadoras da ética do próximo. Isto não é cristianismo, nem fé, nem igreja. Para sermos Igreja Cristã temos que ter sido pecadores miseráveis, sem remédio, e que, de forma sobrenatural, tenhamos sido atingidos pela imerecida Graça e misericórdia de Deus.

R.C. Ryle, por outro lado, ensina que, vemos desta forma a importância da Graça de Deus. Pela gravidade do nosso pecado. O hábito que temos de minorar a ofensa a Deus, quando pensamos que o tempo vai curar, que Deus não ficou assim tão ofendido, só tem um efeito: Rejeitarmos a Graça de Deus, porque não achamos que estamos assim em tão maus lençóis.

A contrição, o arrependimento, o choro pelo nosso pecado, são, por isso, as melhores coisas que Deus nos pode ter dado, porque são elas que nos levam à Sua maravilhosa Graça.   

terça-feira, novembro 27, 2012

Graça

Continuo a ler o livro que vos citei da última vez. Sou um leitor muito lento, pouco perspicaz, com má memória, mas com boa intenção (noto algum paternalismo de mim para mim). Este livro ainda vai render algumas semanas.
J .I. Packer vem falar do mau relacionamento que temos com a prática da Graça de Deus nas nossas vidas.
Eu julgaria, à primeira vista, que fosse ao contrário. Tudo o que nos aproxima a um relacionamento com Deus seria o favor que Ele nos concede. Receber esse favor é algo agradável...
Mas ele explica e eu passo a concordar.
Se nos atrai algum tipo de favor que Deus (devia escrever em minúsculas, já percebem porquê) tem para connosco, não é a Sua Graça. porque a Graça só é Graça se formos confrontados com o nosso pecado e a nossa miséria. Se não é a graça, então, também o favor que, pensamos, nos está a ser oferecido, não vem de Deus, vem, antes de deus (algum deus criado, idolo, para nosso prazer)

O nosso quase nulo relacionamento com a Graça de Deus é entendido porque pensamos de forma alta demais em relação a nós. São quatro as áreas que J. I. Packer sublinha:

1- "A maldade moral do homem."
Nós não somos bonzinhos. A realidade é que não prestamos para nada. somos maus.

2- "A justiça retribuidora de Deus."
Deus é justo e não "deixa passar" o pecado. Ele castiga, e repreende justamente quem peca. Logo, todos somos dignos de grave penalidade, o inferno.

3- "A impotência espiritual do homem."
O homem não pode fazer nada para alterar esta situação.

4- "A liberdade soberana de Deus."
Deus não tem obrigação nenhuma em fazer o que quer que seja por nós.

Perceber a Graça de Deus passa por perceber isto intimamente e depois entender que mesmo assim, miseráveis impotentes e perdidos, Deus decidiu salvar-nos.
"A Graça de Deus é o amor livremente demonstrado para com pecadores culpados, contrariamente ao seu mérito e, de facto, num verdadeiro desafio à sua falta de mérito."

sábado, novembro 24, 2012

Pôs-me a pensar...

Preciso recomeçar a escrever aqui. Tenho reparado que exteriorizar o que leio ajuda-me a aprender.
Motivo egoísta, portanto.
Mas também posso dizer que é para partilhar o que leio, abençoar outros e outras coisas assim. Creio que isso virá depois.

Citei num outro lugar J.I Packer quando diz: "Deus era feliz sem o homem, antes de o ter criado; teria continuado a ser feliz, se simplesmente destruísse o homem logo que este pecou; mas a verdade é que Ele dedicou o Seu amor a pecadores em partilular...".
Mas a citação não está completa, não sei se repararam nas reticências. 
Ele continua: "...e isto significa que por Sua própria e livre escolha, não conhecerá felicidade perfeita a absoluta, de novo, até que o tenha levado a todos o céu." "Deste modo Deus salva não só para Sua glória mas para Sua alegria." Lucas 15:10

Penso nestas afirmações porque parecem ser daquelas que, humanamente fazem sentido, mas não se coadunam com a natureza de Deus.

A primeira questão que me surge, não sendo ela parte do cerne do que estou a pensar é, quando ele fala em Deus levar todos ao céu, fala de quê? Quem são todos?
A Bíblia é clara em dizer que nem todos se salvam. Deus predestinou os que se hão de salvar, elegeu-os antes da fundação do mundo. 
Não podemos, por outro lado, advogar que Deus nunca terá alegria completa enquanto todos os pecadores não se salvarem, isso queria dizer que Deus seria incompletamente feliz por toda a eternidade. Creio sim, que Deus vai salvar todo aquele que predestinou e  com a salvação de cada pecador há grande alegria.

Creio que Deus não tem falta em aspecto nenhum de alegria. não há nada que esteja em falta na pessoa da Deus. Ele não precisa de complemento exterior, absolutamente nenhum para ter alegria perfeita. Por outro lado, Deus não é impassível nem indiferente à salvação do pecadores. Isso é o que lemos no texto bíblico mostrado acima, Lucas 15: 10. Ele salva o pecador, Ele tem grande gozo com a salvação de cada alma, por isso, também e compreende que o Seu gozo seja manifesto pela salvação dos pecadores.

Finalmente, Deus vive na eternidade. Creio que Ele já nos contempla glorificados. para ele a comsumação de todas as coisas já está à sua frente porque na eternidade não há tempo. Nem antes nem depois. por isso a Sua alegria é sempre constante e absoluta porque já está tudo consumando. desta forma também se percebe que "haja alegria no céus por cada pecador que e arrepende".

domingo, agosto 26, 2012

Casamento

Ainda estou a digerir alimento sólido dado pelo Dr. Russell Shedd acerca de integridade.

Mas, entretanto, continuo na agradável caminhada de leitura de alguns livros escritos por Timothy Keller.
Curiosamente, depois de comprar os quatro que comprei, descobri que me faltava comprar um quinto "The reason for God".

Falando de casamento, Tim Keller, argumenta que o casamento é uma imagem do Evangelho.

Esta é uma ideia que me tem apaixonado nos últimos tempos. Descobrir que Deus nos dá a oportunidade de tipificarmos, imitarmos, experimentarmos o evangelho não só pessoalmente, nem apenas comunitariamente, mas como que encenando-o, para que o compreendamos melhor, imitando passo a passo para que o valorizemos ainda mais, e fazendo-o, Deus decidiu que tudo isto acontecesse na vida familiar que é a vida mais intima entre humanos.
Glória a Deus!

Tim Keller diz: "The reason marriage is so painfull and yet so wonderfull is because it is a reflection of the Gospel, which is painfull and wonderfull at once."

sexta-feira, junho 22, 2012

Ídolos religiosos

Há algum tempo a trás, o meu amigo Tiago, qual arauto que, fielmente, anuncia as boas novas, publicitou (para não usar a palavra anunciar, que fica feio e mal escrito) a tradução para o português de um livro de Timothy Keller, "Falsos deuses", no original, "Counterfeit gods.
Quando soube da feliz notícia, e soube-a pelo meu amigo, já tinha encomendado o livro, juntamente com outros três, do mesmo autor, mas na sua língua original.
De qualquer forma, junto a minha voz à dele, alegrando-me com o facto de, os Católicos terem decidido traduzir um livro de um escritor Presbiteriano e Calvinista. 
Acabei de o ler e foi bem investido o dinheiro.

Tim Keller diz, não literalmente no livro em causa, que o que nos afasta de Deus é, sobretudo, o que pensamos que fazemos mesmo bem.
Neste livro, falando sobre falsos deuses, ele diz que o nossos falsos deuses são coisas boas, que adulterámos, buscando nelas o que deveríamos buscar apenas em Deus. E isso, segundo ele, é idolatria.

Podemos encontrar idolatria em todos os lugares da nossa vida, até na religião, até na nossa pseudo-busca por Deus.

Deixo-vos algumas citações:

"Idolatry functions widely inside religious communities when doctrinal truth is elevated to the position of a false god."... "The sign that you have slipped into this form of self-justifiction is that you become what the book of Proverbs calls a scoffer. Scoffers always show contempt and disdain for opponents rather than graciousness."

"Another form of idolatry... turns spiritual gifts and ministry success into a counterfeit god."... Spiritual gifts (talent, hability, performance, growth) are often mistaken for what the Bible calls spiritual fruit."

"Another kind of religious idolatry has to do with moral living itself."... "Because we have lived virtuous lives, we feel that God (and other people we meet) owe us respect and support."


Sigo para ler o segundo dos quatro livros que adquiri.  

terça-feira, junho 19, 2012

... é para quem não se preocupa com isso.

"... quem é o maior no Reino dos céus?"... "...aquele que se tornar humilde como esta criança, esse é o maior no Reino dos Céus."
Mateus 18: 1, 4

Creio que a ideia geral que quero transmitir é bastante óbvia tendo em conta os textos Bíblicos e o título que dei ao post.
Mesmo assim, quero escrever. É para isso que isto serve...

No seu livro "Think", Pipper observa que, Jesus não está a dizer, aqui, que as crianças são os exemplos maiores de fé que todos nós deveríamos seguir. As crianças são mais falíveis do que os adultos. São, para além de muitas outras coisas, naturalmente egoístas, se não forem ensinadas a serem o contrário e são (como dá a entender a sua denominação) infantis. O próprio Jesus não era uma criança. Seria, portanto, ridículo pensar que as crianças é deveriam liderar a fé. Não é esta a intenção do Senhor ao trazer para a discussão o exemplo das crianças.
Por outro lado, as crianças são exemplos impecáveis de humildade.
Porque será? É fácil perceber que, alguém que ainda está a aprender tudo, que depende completamente de outros para ter qualquer coisa, alguém que ainda nunca foi independente (esta é a única forma de vida que conhece), e a quem os outros, com muita alegria, ajudam, esse alguém seja tendencialmente humilde.
É que, no fundo, toda a sua vida é claramente dependente dos pais, familiares, professores, de toda a gente.
Aqui, a palavra "claramente" é importante. Para a criança, a dependência em terceiros é perfeitamente assumida, e assumida também a sua inevitabilidade. A assunção de dependência é de tal forma que a criança, numa deturpação desta visão, pensa que os outros têm a obrigação de os servir. Juntando a isto, o facto de ela nunca ter sido independente (facto, que em grande parte dos exemplos, faz com que apesar de podermos ser dependentes de alguém, a certa altura da vida, não ficamos humildes de repente), resulta em uma vida humilde na sua melhor condição.

A humildade de que Jesus fala aqui (sendo a criança o seu paradigma), não é a humildade do "coitadinho" que não pode fazer nada, que precisa de todos e que todos têm pena dele. Não, a humildade aqui é um misto de descanso confiante no pai, porque sabe que as suas necessidades serão preenchidas, com uma despreocupação inocente do que não é do seu respeito.
A criança não se preocupa com a comida, com as notas que recebe no jardim de infância, com a roupa que vai vestir, com o tempo que vai fazer, etc.
A criança, aqui, é o elemento, aparentemente, mais fraco da equação. é quem se escandaliza, mas também é quem, como as ovelhas, nem sempre sabe bem para onde ir.
O coração humilde percebe que é pobre (não que que tem de se tornar pobre... pobres já somos todos, e no entanto, a boa notícia, nesta pobreza, é que somos aceites por Deus), fraco e, sendo assim, não tenta fazer nenhum tipo de "espectáculo para provar, erradamente, o quão bom pensa que é. 

Segundo Jesus, o maior no Reino dos Céus é o coração da criança.
O coração que não faz a pergunta que os discípulos fizeram inicialmente.
 
Não sei se também fazem a mesma leitura que eu, mas vejo aqui uma forte resistência a tudo o que é auto-promoção, desejo de ser conhecido, desejo de aplausos, demonstrações (como se fosse arte circense) de teologia, profunda, às pessoas com quem falo, para impressionar.
O maior no reino dos céus é o que pede o "Pão de cada dia...", é o que não se preocupa com a sua reputação e perdoa sem lhe ser pedido perdão, é o que descansa e obedece ao Senhor até nas coisas que ele sabe que podia alterar, mas principalmente nas que não lhe dizem respeito.

A Glória no Reino dos Céus, neste sentido, é para quem não se olha muito ao espelho, nem quer saber como é que os outros olham para ele.

quarta-feira, junho 13, 2012

Não há cinzento

"Porque lhes dou testemunho de que têm zelo de Deus, mas não com entendimento. Porquanto não conhecendo a justiça de Deus e procurando estabelecer a sua própria justiça, não se sujeitaram à justiça de Deus."
Romanos 10: 2-3

O nosso zelo não é suficiente. Pela simples razão que o nosso esforço não é o único ingrediente que agrada ao Senhor. Podemos ser esforçados, cumpridores (pelo menos do sistema religioso e legal que a certa altura criámos na nossa mente), modelares (pelo menos aos olhos dos outros), e mesmo assim, nada disso ser suficiente para agradar ao Senhor. Antes pelo contrário, o nosso esforço pode ser, exactamente o que nos distancia de Deus e o que O ofende grandemente.
Isto não vai lá apenas com suor humano...
O apóstolo Paulo fala de falta de sabedoria no uso do zelo. É néscio aquele que tenta conhecer Deus caminhando apenas o trilho da sua própria excelência e esforço. Não só é néscio, mas, digo-o eu não o Senhor (já que falo de Paulo, faço-o um pouco à forma de Paulo), é um grande gabarolas, por pensar que dele próprio (a saber: do seu esforço, da sua coerência, do seu cumprimento, da sua história, etc.)  poderá vir algum resultado de tão elevado valor como o de conhecer o Senhor.

Juan de Valdés em "The Benefit of Christ" usa uma expressão clarificadora para falar do versículo 3 deste capítulo 10 de Romanos.
"Desconfia da tua própria justiça..."
Esta simples frase é clarificadora porque, nem toda a justiça é boa. Até diria que a justiça que por vezes pesamos ser neutra, ou seja, a nossa justiça, quando respondemos, face a algumas escolhas nossas, "não há mal nenhum nisto ou naquilo...". O que, de facto, estamos a dizer é que, no fundo, o que fizemos, não é necessariamente bom, no sentido em que, claramente, seja uma escolha motivada pelo Evangelho em nós. Não é uma escolha contra cultura, porque Deus assim o deseja. Percebemos que a escolha que tivemos foi uma escolha pessoal, não foi uma escolha divina.
Dizemos que "não há nada de mal", porque pensamos (ou se calhar esta é apenas uma desculpa para, na nossa mente, justificar o nosso secularismo) que os princípios que nos levaram a tal escolha são neutros.
A nossa justiça não é neutra. Confiar na nossa justiça é rejeitar a justiça de Deus.
Não digo isto apenas num prisma moral em que avaliamos certa acção, mas digo-o sobretudo no nível com que comecei este texto. A nossa justiça, na nossa busca por Deus é uma ofensa à justiça de Deus. Se valorizamos uma, desprezamos a outra.
Por isso, Deus não espera, nem quer que vivamos a nossa vida, ainda que coerentemente, numa base em que a nossa opinião é que reina.
A nossa opinião não é chamada para a busca de Deus.
O Zelo não é suficiente, nem tão pouco a nossa justiça.

quarta-feira, junho 06, 2012

Fogo estranho


No primeiro versículo do décimo capítulo de Levítico o povo Judeu começa a sacrificar ao Senhor como acto de adoração. O sacrifício era de animais, e apontava para a vinda do Messias (Jesus Cristo) que seria o cordeiro perfeito para remissão dos pecados do homem. Começou mal.
Geralmente a inexperiência leva-nos a erros de palmatória. Não foi este o caso. O erro de palmatória é aquele que é feito na ignorância, ou na inocência, por falta de experiência. Geralmente não se atribui uma má índole ao erro de palmatória, antes, tem-se pena do infortúnio que levou a tal desastre.
Toda a instrução, pormenorizada (tão pormenorizada que, para o leitor menos interessado, pode provocar alguma sonolência), do Senhor parece que não produziu efeito no coração de dois dos filhos de Arão.
Em Êxodo 30: 9 lemos acerca de incenso estranho que era proibido. O Senhor não gastou muito tempo no que não devia ser feito.
Falou, sim, com gravidade acerca da forma como era próprio o culto. Nisso, Ele foi claro, nisso, gastou muito tempo. Um ouvinte/leitor atento e consagrado percebe, claramente, que, pela minúcia com que o Senhor ensina o povo a adorar, está perante um Deus Rigoroso, Zeloso, que é Senhor, que não se contenta com qualquer coisa, que exige obediência, que é Santo.
Tendo esse conceito bem presente, porque razão haveríamos nós de aligeirar a adoração perante Ele?
O Filhos de Arão, a saber, Nadabe e Abiú, decidiram trazer fogo que não era fogo do Senhor.
Que fogo é este fogo do Senhor?
O texto diz que quando Arão entregou o primeiro sacrifício ao Senhor, veio fogo de Deus que consumiu o holocausto. Não sabemos de onde veio o fogo. Se veio dos céus, se veio da terra, se era uma forma de falar do fogo que estava já aceso ali. Lemos, sim, que a presença de Deus fez-se notar e o fogo do Senhor queimou toda a oferta.
Este era o fogo do Senhor. Outro fogo qualquer era fogo estranho. Percebe-se que outro fogo seria fogo aceso noutro lugar, fogo iniciado de outra forma qualquer, fogo que vem outro sítio. Talvez tivesse a mesma cor, o mesmo calor, aparentasse uma mesma coisa, mas era fogo estranho, porque não era o fogo que o Senhor tinha determinado.
Foi fogo estranho que os jovens sacerdotes trouxeram para adorar ao Senhor.
O texto diz que estes mancebos, ao usarem o seu fogo, foram mortos pelo Senhor.

Surge-me uma questão na mente, será que, sempre que se ofereceu holocaustos ao Senhor, foi enviado fogo especial de cima? Creio que não. Também não creio que sempre que, na vida do povo Judeu, alguém serviu mal ao Senhor tenha morrido. Tal como hoje se alguém mente acerca do seu dízimo ou do seu testemunho, não cai morto como aconteceu com Ananias e Safira.
Há algo de extremamente sério quando servimos ao Senhor.
A forma como o Senhor tem feito notar essa seriedade é no seu início. Como se costuma dizer: “de pequenino se torce o pepino.”, Deus também no início faz-nos ver o que é que está em jogo.
O fogo do Senhor foi miraculosamente lançado pelo Senhor algumas vezes apenas, a morte, por serviço inapropriado ao Senhor, acontece apenas algumas vezes, tal como, cair sem vida, porque se mente na quantia que se oferece ao Senhor, não é prática usual nas nossas igrejas.

Será o Deus de hoje mais mole do que o Deus de antigamente? Será que dobrámos Deus? Será que Deus também se molda pelos tempos ocidentais com todo o seu humanismo?
Claro que não.
Os primeiros sofreram para ensino do povo de Deus. Fomos avisados. Os de hoje sofrerão as consequências do seu pouco zelo, das formas como Deus quiser, mas, principalmente, no fim dos tempos perante o Senhor percebendo que a falta de zelo é sinal de que, no fundo, nunca adorámos a Deus.

O que está em jogo na adoração, ou na consagração dos nossos bens é muito mais do que a nossa vida física.
Deus não amoleceu. O Seu Zelo é sempre perfeito, e isso vamos perceber quando ficarmos perante Ele, um dia.

terça-feira, maio 29, 2012

Importância

As coisas mais importantes, as que são mesmo inegociáveis na esfera do eterno, as que fazem a diferença mais profunda na vida e que interessam mais, são todas elas impossíveis de alcançarmos pelos nossos esforços.
Se vivemos vidas conquistadas por nós, ou então se lutámos pelo que temos e o que temos é apenas aquilo pelo qual lutámos, então não temos nada que realmente interesse.
A eternidade, a alma, o conhecimento de Deus, a salvação, o propósito da vida, não têm comparação, em nível de importância, com promoções de carreira, dinheiro, vingança, acção social.
As primeiras não são possíveis para nós, logo, são muito mais perenes que as segundas. As últimas, com muito esforço, poderão ser conquistadas, mas o seu valor fica-se por esta vida e nada mais.

Como disse Joel Beeke "as coisas que mais valorizamos são coisas que não conseguimos alcançar." 

Resta-nos a pergunta, "então e não as conseguimos alcançar, porque é que falas delas aqui?" ou então, "Porque é que devemos saber alguma coisa acerca de algo que nos é interditado?"

Eu não disse que estas coisas nos eram interditadas... disse, sim, que não as conseguíamos alcançar. É diferente.
As coisas mais importantes da vida não são conquistáveis, são, antes, concedidas por Deus.

quarta-feira, maio 23, 2012

Trying to make a case

"Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado para que a graça seja mais abundante? De modo nenhum! Nós que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?"
Romanos 6:1
O argumento do apóstolo Paulo para não pecarmos não é, desta vez, o castigo de Deus, nem as consequências do pecado. Antes, argumenta com o próprio Evangelho.
Quem foi convertido, quem nasceu de novo, quem passou da morte para a vida, quem é salvo, morreu para o pecado. É uma afirmação. Não é uma possibilidade, nem é uma tarefa e nem tão pouco é um esforço que fazemos pela vida a fora.
Os salvos não permanecem em pecado porque já morreram para o pecado.
Depreende-se que, se permanecermos em pecado, se nunca se der uma volta de arrependimento, se nos sentirmos confortáveis com o pecado, de forma que poderíamos viver sempre assim, então não somos salvos.
É como lemos em Hebreus, em dois textos específicos:
"Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se fizeram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa Palavra de Deus e as virtudes do século futuro, e recaíram, sejam outras vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificaram o Filho de Deus e o expõem ao vitupério."
Hebreus 6: 4-6
O escritor aqui ainda avança mais um pouco. Ele fala da possibilidade de provarmos, de sermos iluminados e de sermos participantes das bênçãos celestiais (como por exemplo o cônjuge do filho(a) de Deus em I Coríntios 7: 13- 14).
Na nossa experiência, conseguimos sinalizar, facilmente, alguns que sempre andaram no meio da igreja, uns até foram baptizados, até lideraram ministérios, mas depois de algum tempo notou-se que não produziam "frutos dignos de arrependimento". Essa era a sua forma de viver. Mas ao mesmo tempo, agiam de forma externa igual à maioria das pessoas que ali comungavam. Eventualmente essas pessoas, ou tornam-se frias na sua fé vivendo de forma religiosa, ou então abandonaram a igreja. São essas pessoas a que o escritor de Hebreus se refere neste capítulo.
Porque, o mais sério ainda está para vir.
Se ele se estivesse a referir aos cristãos, salvos, Filhos de Deus, que nasceram de novo, ele também estaria a dizer que, se eles caírem, já não há recuperação possível.
Sempre que se fala da suposta perca da salvação, também se fala de uma recuperação dessa mesma salvação. Este texto diz que isso é impossível.
Mas ele não fala dos salvos, fala dos outros de quem falei acima.
Os salvos, esses, preserverarão até ao fim (Marcos 13:13, Filipenses 1:6, Hebreus 10:14, entre muitos outros). 
Tendo isso em mente, compreendemos melhor o que se lê no capítulo 10 do mesmo livro:
"Porque, se pecarmos voluntariamente, depois de termos recebido o conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados, mas uma certa expectação horrível de juízo e ardor de fogo, que há-de devorar os adversários. (...) De quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano o Sangue do Testamento, com que foi santificado, e fizer agravo ao Espírito da graça? (...) O Senhor julgará o Seu povo. Horrenda coisa é cair nas mão do Deus vivo."
Hebreus 10: 26 - 31
Dois apontamentos apenas:
Primeiro, estes que receberam o conhecimento da verdade e que foram santificados, encaixam perfeitamente no grupo de pessoas que Hebreus 6 fala. Tal como Romanos 6 nos diz há impossibilidades que o novo nascimento cria.
Segundo, a expressão "Deus julgará o Seu povo", refere-se ao povo visível, à igreja que e vê, tal como se lê em Ezequiel 34:17, ou em Romanos 9: 6, ou como temos todos visto acontecer nas nossas igrejas, nem toda a igreja visível é salva.
"Trying to make a case" de que a salvação oferecida pelo Senhor aos que a recebem, é segura, e nada nos fará perdê-la.
A interpretação de Hebreus 10 teve a orientação de John Pipper, Hebreus 6 e Romanos 6, a orientação de muitas conversas com amigos e leitura de alguns comentários ao longo te algum tempo. Não anotei toda a bibliografia.
Isto não é original meu.

segunda-feira, maio 21, 2012

Uma coisa é clamar ao Senhor por salvação, outra é resmungar com o Senhor porque a vida não nos corre como queríamos que corresse.

O Senhor ouviu o clamor do Seu povo que vinda do Egipto, "...e ouviu Deus o seu gemido e lembrou-se Deus do Seu concerto com Abraão, com Isaque e com Jacó." Êxodo 3: 24. E aqui inicia o Êxodo do povo de Israel.
Deu chama Moisés, capacita Moisés, faz maravilhas através de Moisés, traz pragas sobrenaturais sobre o Egipto, para libertar o Seu povo (já agora convém dizer que o Senhorio de Deus em toda a situação era tal que o povo não saia da terra porque O coração do Faraó estava endurecido, e tinha sido, exactamente, Deus quem o endureceu. Ele fê-lo para que fosse glorificado também na vida do Faraó), e depois de muita indecisão por parte do Faraó, com claros prejuízo para ele e para o seu povo, lá o povo é libertado com mão poderosa.
Aqui inicia-se um série de, tristes, infantis, humanas, esquecidas e carnais lamentações.
Depois desta libertação poderosa, o Faraó muda de ideias e persegue o povo.
O povo  reage, "Não havia sepulcros no Egipto, para nos tirares de lá, para que morramos neste deserto? Porque nos fizeste isto, que nos tens tirado do Egipto?"
Note-se que a critica do povo face à circunstância até é compreensível, o que não é compreensível é a sua crítica face ao que já tinha visto que o Senhor era capaz. Somos muito esquecidos sempre que se nos deparam circunstâncias terríveis.     
Continuando, o Senhor salva o povo com mão forte. Afoga todo o exército do Faraó no Mar Vermelho.
Moisés e Miriã levam o povo a cantar louvores a Deus, mas logo de seguida...
"O povo murmurou contra Moisés, dizendo: que haveremos de beber?"
Deus deu-lhes água potável para beberem, e logo a seguir...
"Quem dera que nós morrêssemos por mão do Senhor na terra do Egipto, quando estávamos sentados junto às panelas de carne, quando comíamos pão até fartar."
Esquecidos que somos... lembro-vos, eram escravos, não estavam sentados junto à panelas de carne nem nada disso.
Deus dá o maná e o povo come que se consola.

E eu ainda só vou no capítulo 17 de Êxodo. Mais virá...
O que nos alivia é que nós, hoje, já não somos nada assim...

domingo, maio 20, 2012

D'Ele para Ele

"Ora, sem fé é impossível agradar-lhe,..."
Hebreus 11: 6a

É como se estivesse a dizer, "agradas-Me ao perceberes que és inútil, e que dependes de Mim para tudo."
No versículo 1, deste capítulo, recebemos a explicação do que é fé. Deus não se agrada com a nossa "não-fé".
Com o que é visível, palpável, no fundo com o que, naturalmente (no sentido do homem natural em oposição do homem espiritual), nos agrada, é incompatível.
Ele está muito pouco interessado com os nossos afazeres se ele revolverem apenas à nossa volta.
Agrada-Lhe, em nós, exactamente o que não temos, nem vemos, mas que Ele tem.
O Seu maior prazer em nós é Ele próprio em nós.

sexta-feira, maio 18, 2012

Quem não quer, nunca há-de querer

O Faraó não queria deixar sair o povo do Egipto.
Inicialmente esta decisão era vista, para ele, algo como que uma guerra entre deuses.
O que a vara de Arão fazia, os seus magos também faziam. Logo, "que poder tão especial há neste vosso Deus, que me obrigue a deixar este povo sair?", pensava ele.
Mas rapidamente o Senhor vence as artimanhas e ilusões dos magos do Faraó. ultrapassa-os por larga margem. Na terceira praga, a das rãs, os magos imitam mas não conseguem controlá-la. É Moisés que, pedindo ao Senhor faz com que a praga pare.
Daqui em frente, os magos tornam-se apenas espectadores envergonhados.
Daqui em frente o argumento do Faraó acaba.
Nem por isso ele deixa o povo ir. Sucessivamente diz que deixa o povo ir, mas quando a praga passa já não deixa. Nem experimentando em primeira mão a ira e as pragas de Deus, toda a Sua soberania para a qual nenhum dos seus encantadores tinham capacidade de igualar, o Faraó creu.

Para nós, de igual forma, inicialmente crer pode até ser visto como uma guerra entre deuses. O que é que Deus faz, ou fez de tão importante que o meu dinheiro não faça, ou que a minha carreira não me dê? Muitos nunca saem destas questões, e ficam presos ao que supostamente lhes daria mais prazer. São escravos.
Mas logo logo, este competição acaba. Torna-se óbvio demais quem é o mais poderoso, quem fez mais por mim, quem lida com o que mais interessa. É Deus. Mas mesmo assim, muitos não crêem.
Não só são escravos, estão cegos, não vêem com tudo à frente deles.

Não deixe passar a sua vida sem que perceba o mais óbvio. 

Êxodo 7 -11

Oração

Senhor, Orienta o meu coração para eu procurar agradar-Te a Ti, e apenas a Ti.
Que eu busque o Teu reconhecimento e apenas o Teu reconhecimento.

terça-feira, maio 15, 2012

Em tom de comentário à última publicação. Não o leiam antes de lerem o que está abaixo.

... Por essa razão, a Graça de Deus só o é para alguém que se sentir em dívida.
A salvação só o é se me sentir pecador.
Antes de saber que sou amado por Deus, tenho que saber que ofendo a esse mesmo Deus.

Tenho ouvido uma série de palestras acerca de reavivamento...

Ouço falar acerca de pregação.
Pregação acerca da Lei de Deus. Quando oiço falar de "pregação legalista", penso sempre na pregação que serve para dizer que o nosso trabalho é cumprir esta mesma lei. Numa pregação da vontade do homem, num certo elevar das nossas capacidades. É uma pregação que nos leva a pensarmos que tal façanha é possível. Penso, geralmente, que é uma pregação destituída da graça de Deus.

Mas tenho estado errado. Tom Ascol ensina que a "pregação legalista" tem grande importância.
Mas pregar na Lei de Deus é pregar na Lei mais rigorosa, e intolerante, e zelosa que existe.
É pregar que esta lei é impossível de obedecer de forma impecável, é dizer que somos culpados, é dizer que somos miseráveis, que estamos aquém. Logo, a Lei deve ser pregada com toda a sua exigência, para que a culpa do pecado possa ser revelada às mentes dos ouvintes.

A "pregação legalista" tem que anteceder a pregação acerca de Cristo.
A "pregação legalista" traz grande fome por Cristo.
Cristo, a partir daí, tem que ser pregado como a única salvação para o pecador.
Temos que, a partir daí, elevar a pessoa de Cristo como a solução da condição tão miserável em que nos encontramos depois de sermos colocados frente a frente com a Lei de Deus. Ele é a resposta de Deus para o nosso problema, e Deus oferece-nos essa resposta, passando ela a ser a nossa própria resposta.

No reavivamento a pregação de Palavra toma uma posição de grande evidência.

"Visto como na sabedoria de Deus o mundo pela sua sabedoria não conheceu a Deus, aprouve a Deus salvar pela loucura da pregação os que crêem."
I Coríntios 1:21

sábado, maio 12, 2012

Portas Abertas

"E Jonas se levantou para fugir de diante da face do Senhor para Társis; e, descendo a Jope, achou um navio que ia para Társis; pagou, pois, a sua passagem e desceu para dentro dele, para ir com eles para Társis, de diante da face do Senhor."
Jonas 1: 3

Enquanto leio um pequeno capítulo do livro "Amado Timóteo" escrito por Geoff Thomas, o capítulo, bem entendido, porque este livro é escrito por várias pessoas... mas como ia a dizer, ao ler este pequeno capítulo sou chamado para um pormenor que me fez pensar.
É certo que não concordo com tudo o que este pastor sénior escreve, mas com base no texto Bíblico acima escrito, ponho-me a pensar: o que será que passou pela mente de Jonas quando encontrou o barco que ia exactamente para onde ele queria ir, e que custava uma quantia que ele podia pagar?

Será que Jonas também era da mesma opinião que nós em relação às "portas que se abrem" e às "portas que se fecham"? Será que para ele esta era uma porta aberta? As coincidências faziam pensar assim.
Será que um naufrágio como o que Paulo sofreu era uma porta fechada?

Não acham perigoso basearmos a nossa definição de "vontade de Deus" nestes critérios? Claramente, vemos que até o decidir ir, exactamente, para o lado oposto de onde Deus nos quer, pode ser sustentado como sendo a vontade dEle.
Por isso, Deus usa o que de mais óbvio Ele pode usar para percebermos o nosso mau caminho e a nossa ignorância no conhecimento de Deus.
O sofrimento, o peixe grande.

sábado, maio 05, 2012

"Just do it..."

Vivo numa permanente luta entre o fazer e o ser.
Será que quanto mais fizer melhor sou? Será que tenho que justificar a minha vida com o que faço? Todos nós sabemos a resposta certa. Todos, se perguntados, respondemos que "o ser é que impulsiona o fazer". Eu também respondo assim.

E não me entendam mal, eu creio nisso. Creio de tal forma nisso, que percebo que a minha luta é por, na verdade, não viver assim grande parte das vezes.

Também creio que vivemos numa cultura de "fazer". Cada vez mais me incomoda tudo o que é louvor à obra do homem (até conseguimos fazer coisas engraçadas...), às técnicas e ciências humanas que podem "maximizar" o poder do Espírito Santo, todas as filosofias, psicologias, sociologias, pedagogias, e outras "gias" que têm tirado a proeminência da Bíblia na nossa evangelização, ensino, aconselhamento, etc.
Para ouvirem alguém que fala com propriedade deste assunto, oiçam um senhor chamado Paul Washer.

Deus me guarde de ter um coração produtivo de técnicas, ideias e projectos e não ser um coração que ame a Deus e Lhe obedeça apesar das circunstâncias.

domingo, março 18, 2012

Notícia importante!

Depois de me ler algumas vezes (as poucas que venho cá) percebi que sou um analfabeto!

NÃO LEIAM ESTE BLOGUE!

Esta é a maior redundância que poderia escrever aqui.

Agradecimentos...

Há, sensivelmente, um ano atrás que o teclado do meu comutador começou a dar problemas com a tecla da letra "s". Per que escreva, preciso de imprimir mais energia a pressionar do que o faço para as outras letras todas.
O resultado é que, escrevendo a "correr" como quase sempre escrevo, surgem erros inesperados, que por incompetência minha não são corrigidos.

Quero agradecer, sinceramente, à minha cunhada Luísa por me ter chamado a atenção para outros erros, mais graves, de distracção na minha escrita.
antes tinha escrito "O Reino de Deus é oposto a Deus". Aqui não há desculpa de tecla, nem de nada que tenha a ver com problemas técnicos. O erro foi mesmo de distracção.

Já está corrigido.

Os erros dos "S's" nem foram mencionados por misericórdia.

domingo, março 04, 2012

O Reino de Deus vrs nosso reino II

O Reino de Deus não é deste mundo:

“Jesus respondeu: O meu Reino não é deste mundo; e o meu Reino fosse deste mundo, lutariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas, agora, o meu Reino não é daqui.”

João 18: 36

Não se baseia com os valores e parâmetros deste mundo:

“Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo… e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo… e Deus escolheu as coisas vi deste mundo, e a desprezíveis, e as que não são… para que nenhuma carne se glorie perante Ele.”

I Coríntios 1: 27-29

O Reino de Deus é diametralmente oposto aos valores do mundo:

“Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele.”

I João 2: 15

Estes textos, entre muitos outros mostram-nos que não só o Reino de Deus não é deste mundo, nem é o nosso reino, mas acima de tudo que nós, naturalmente, somos inimigos deste reino.

O preâmbulo foi criado para fazer uma questão.

Se é assim, então porque é que os cristãos pensam como os não-cristãos? Porque é que quando falo de finanças, a resposta de um suposto seguidor de Cristo é igual à de uma pessoas que nunca teve um encontro pessoal com Jesus? Porque é que o namoro (à parte do sexo antes do casamento, porque pensamos que essa é a única ordem de Deus a esse respeito) é igual e assenta sobre as mesmas premissas que as de um incrédulo? Porque é que a nossa visão de nós próprios enferma dos mesmos males que vemos nas pessoas sem Deus? Porque é que tal como os “outros”, somos julgadores, materialistas, egoístas, etc?

A realidade é que temos que ser confrontados com o nosso pecado.

Amamos o mundo e o que nele há. Sendo este o caso, a nossa situação é terrível. O amor do Pai não está em nós.

Passamos muito mais tempo a pensar em dinheiro, prazer, relacionamentos, negócios, reputação, do que a pensar no que Deus quer fazer das nossas vidas.

Passamos muito mais tempo em frente a uma televisão, a um computador, num café, do que a ler a Bíblia ou em oração.

Eu sei que há situações em que uma não anula a outra, mas não estou a falar disso. Quando falo de café, falo de passarmos tempo ali sem ter a menor preocupação de comunhão com Deus, ou ao computador de igual forma.

Precisamo-nos arrepender.

A igreja precisa dobrar os seus joelhos em arrependimento. Precisamos parar de pensar que temos a salvação garantida porque, num dia qualquer, levantámos a mão e passámos a ser membros de uma igreja local.

Se não obedecemos a Deus, se não houve uma transformação radical (mesmo que sempre tenhamos sido boas pessoas), então não temos o amor do Pai connosco.

sexta-feira, março 02, 2012

Reino de Deus vrs nosso reino

Desde o início do Novo Testamento que o Reino de Deus é anunciado ao homem, como tendo chegado. Primeiramente por João Baptista (Marcos 1:4), depois por Jesus Cristo (Lucas 8:1) e depois pelos apóstolos (Actos 2: 37-38).

Nesta mensagem, uma coisa era comum, o arrependimento. Todo o homem que se quisesse chegar ao Reino de Deus, tinha que se arrepender, tinha que mudar.

Compreendemos, então, que, no estado natural de cada um, somos completamente incompatíveis com o Reino de Deus. Poderia até dizer que o Reino de Deus existe em contraposição ao nosso reino.

Todo Ele é uma contradição do que existe naturalmente na nossa mente, são irreconciliáveis. Por isso, o chamado ao arrependimento.

Porque havendo uma mudança, essa nunca será da parte de Deus, essa mudança terá sempre que vir da nossa parte, por ser a parte pecadora, a que ofendeu, a que é criação.

terça-feira, dezembro 20, 2011

Neste ano...

Deus é Soberano. Deus age independentemente da nossa fidelidade. Deus não precisa de mim. O mérito de quaisquer vitórias nunca é meu, mas sempre de Deus.

Faz lembrar a parábola que Jesus contou:

"Disse também: O reino de Deus é assim como se um homem lançasse semente à terra, e dormisse e se levantasse de noite e de dia, e a semente brotasse e crescesse, sem ele saber como.
A terra por si mesma produz fruto, primeiro a erva, depois a espiga, e por último o grão cheio na espiga. Mas assim que o fruto amadurecer, logo lhe mete a foice, porque é chegada a ceifa."
Marcos 4:26-29

domingo, novembro 13, 2011

A nossa glória

"Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção; para que, como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor."
I Coríntios 1:30-31

terça-feira, novembro 08, 2011

...a pensar alto... (mal escrito, sem grande estrutura)

A Lei nunca serviu para o homem e chegar a Deus. Antes, era o padrão de Deus e o caminho da perfeição, que revelava a imperfeição e o pecado do homem (Romanos 3:20). O povo Judeu reconciliava-se com Deus através dos sacrifícios de arrependimento, nunca através do cumprimento da lei. Isso era impossível.

De igual forma, a reconciliação com Deus, hoje, acontece por Cristo, nunca pelas obras de lei, pelo seu cumprimento ou não. Logo, o cumprimento da lei, não é o factor decisivo para a reconciliação com o Senhor. Não são os actos de pecado que nos separam de Deus, é a nossa condição original. O actos de pecado são a consequência deste estado.

Em Romanos 6:1, logo surge a pergunta, então podemos pecar à vontade, porque não é a lei que nos salva…

Não, porque a graça de Cristo e a fé nEle, dão-nos nova vida. A Cruz torna-se o motor da nossa caminhada. Obedecemos não para manter ou conseguir algo, mas obedecemos (com uma força, determinação e vontade maior do que alguma vez tivemos, porque é Deus quem opera essa transformação em nós).

Confesso o meu cansaço nos protagonismos disfarçados de espiritualidade, no enaltecer da nossa obra, no "quanto mais fizermos mais vamos receber...".