quinta-feira, maio 12, 2005

Um pequeno conto

Um jovem recentemente chegado a esta cidade chamada de “sete colinas”. Desconhecedor de todos os seus meandros, mas inocente investigador.
Decidiu ele, um dia matar o ócio com uma ida ao cinema. Foi tarde, tão tarde quanto vão apenas os cidadãos que têm viatura própria.
Foi ver um filme, o seu título, é o que menos importa para este pequeno conto. Amante de cinema que só quem não percebe de cinema ama, vai decidido e contente rumo a um tempo de lazer.
Acontece o impensado, o filme acaba, e pelo tardio da hora, o jovem vê-se privado de transporte público para voltar a sua casa.
Nunca entra em pânico, e pensa:
- Bem. O Colombo é em Lisboa, por isso, se for a pé para o maior ajuntamento de casas, com certeza que me encaminharei para o centro da capital - Pensava o novato.
Mais uma vez, contente e decidido a ultrapassar este pequeno contratempo começa a sua caminhada.
Eram 2:00 da madrugada quando encontra, como que por milagre, um posto de polícia. Dirige-se lá e pergunta ao oficial de serviço:
- O Senhor sabe para onde é o Rossio?
- Está de carro? - pergunta o agente
- Não, estou a pé (ridículo, mas decidido).
O polícia arregala os olhos, e com admiração diz:
- Mas isso é longe.
O jovem, de pronto, responde sem hesitação:
- Não faz mal.
Depois de indicar o caminho a ser percorrido, percebi que bastava seguir a linha do comboio, ir até Sete Rios e depois começar a “cortar caminho”, à sorte, para a direita, que é para onde se encontra o Rossio.
Caminhei, caminhei, afinal não era assim tão perto…Eram 4:30 da madrugada (sensivelmente, porque por essa altura, não tive o discernimento de ver as horas) quando cheguei ao Terreiro do Paço.
Sentei-me nas escadas da estátua até chegar à hora do primeiro comboio.
Às 5:50 desse mesmo fatídico dia, dirijo-me para a estação de comboio, entro, sem grandes ressentimentos para o comboio. Sonho com uma tarde inteira a dormir, depois, acordar e rir da figura de urso que fiz.
Chego a casa (que por sinal, é o Seminário Teológico Baptista), e deito-me…
Às 11:00 toca o telefone:
- Ismael, podes ajudar-nos aqui na biblioteca a limpar os livros para o verão?
- Claro, vou já para baixo!

6 comentários:

Violet disse...

ROFLT! :) e não existisses tinhas de ser inventado

entre-aspas disse...

Que tal andar sempre com um horário da Carris e do Metro?

Mário disse...

O melhor do conto é mesmo a mudança do sujeito a meio do texto. Sem dúvidas.
Já afora, andar em Lisboa à noite sem nada a perder, é mesmo óptimo.

Anónimo disse...

Esta história devia ser filmada.

Tiago Cavaco

..caRla.. disse...

Ismael, se não existisses eu arranjaria alguém que te criasse, porque és simplesmente único!!! É preciso tê-los no sitio pra andar em Lisboa de noite, sozinho... =)

Beijokas açureâne...

Avozinha disse...

Essa história (que aliás já entrou na gíria nacional...)é só agoraestranha. No tempo da avozinha havia greves, terramotos, inundações, explosões e outros ões, que toda a gente ficava a andar à pata uma data de tempo.
Não havia era Colombo!